Guia de uso e arquitetura da provaEdital vigente = define O QUE estudar · Prova anterior = define PROFUNDIDADE e ESTILO
Esta apostila cobre exclusivamente os módulos do Anexo II do Edital nº 66/2026 que você selecionou. Cada capítulo segue a sequência pedagógica conceito → fundamento → mecanismo → estrutura → função → integração → aplicação → diferenciação → pegadinhas, com figuras legendadas ("o que observar"), tabelas comparativas, quadros de alerta, revisão ativa e checklist com progresso salvo neste próprio arquivo.
| Módulo (peso na prova anterior – FMHO2502) | Questões | Faixa de questões | Prioridade de estudo |
|---|---|---|---|
| Módulo: A Célula | 14 | 24–37 | MÁXIMA |
| Módulo: Sistema Nervoso | 12 | 68–79 | MÁXIMA |
| Módulo: Sistema Circulatório | 8 | 60–67 | ALTA |
| Módulo: Sistema Respiratório | 7 | 80–86 | ALTA |
| Método e Raciocínio Científico I | 6 | 18–23 | ALTA |
| Órgãos dos Sentidos | 6 | 47–52 | MÉDIA-ALTA |
| Módulo: Aparelho Locomotor | 6 | 38–43 | MÉDIA-ALTA |
| Cuidados de Enfermagem | 4 | 6–9 | MÉDIA |
| Módulo Hematológico | 3 | 44–46 | MÉDIA |
| Módulo Tegumentar | 3 | 89–91 | MÉDIA |
| Suporte Básico de Vida | 2 | 87–88 | MÉDIA (pontua fácil) |
Capítulo 1 — A Célula / Citologia14 questões na prova anterior · o capítulo mais denso da apostila
A. Visão geral
A espinha dorsal do módulo é: (1) membrana = barreira anfipática seletiva com transportes passivos e ativos; (2) sistema de endomembranas = linha de montagem e tráfego de proteínas; (3) mitocôndria = conversão de energia em ATP por quimiosmose; (4) citoesqueleto = forma, transporte intracelular e divisão; (5) ciclo celular + morte celular = controle de qualidade. Quase toda questão do módulo mistura um desses eixos com uma "casca" clínica ou experimental.
B. Membrana plasmática
Conceito: bicamada fosfolipídica com proteínas, colesterol e glicocálix, que separa o meio intracelular do extracelular e regula trocas.
Fundamento químico: cada fosfolipídio é anfipático: cabeça polar (fosfato + álcool, hidrofílica) e duas caudas de ácidos graxos (hidrofóbicas). Em água, a termodinâmica favorece arranjos que escondem as caudas: bicamada, micela, lipossomo. Moléculas anfipáticas típicas de prova: fosfolipídios, colesterol, ácidos biliares, ácidos graxos — e NÃO moléculas totalmente polares (glicose, aminoácidos) nem totalmente apolares (triacilgliceróis, esteroides puros).
Colesterol: modulador de fluidez ("tampão"): em temperatura alta restringe o movimento das caudas (reduz fluidez); em temperatura baixa impede o empacotamento cristalino (aumenta fluidez). Também reduz permeabilidade a pequenas moléculas polares.
Proteínas: integrais/transmembrana (atravessam a bicamada; funções: canais, carreadores, bombas, receptores); periféricas (ligadas à superfície, frequentemente ao citoesqueleto ou a cabeças lipídicas). Glicocálix: carboidratos ligados a proteínas (glicoproteínas) e lipídios (glicolipídios) na face externa: reconhecimento celular, proteção, barreira de carga, determinantes ABO.
Fluidez e movimento: difusão lateral (rápida), rotação, flexão de caudas e flip-flop (raro, espontaneamente). Enzimas: scramblases (RE, redistribuem fosfolipídios de forma não seletiva entre as monocamadas) e flippases (membrana plasmática, seletivas, gastam ATP, mantêm assimetria — ex.: fosfatidilserina só no folheto interno; sua externalização é sinal de apoptose).
Permeabilidade seletiva (ordem decrescente de passagem): gases (O₂, CO₂) e moléculas pequenas apolares > moléculas polares pequenas sem carga (água, urea, etanol) > íons e moléculas polares grandes (glicose, aminoácidos) — estes exigem proteínas.
C. Transportes de membrana
| Mecanismo | Proteína? | Energia? | Sentido | Exemplos clássicos |
|---|---|---|---|---|
| Difusão simples | Não | Não (a favor do gradiente) | ↓ gradiente | O₂, CO₂, NO, etanol, esteroides |
| Difusão facilitada por canal | Sim (canal) | Não | ↓ gradiente | Canais de K⁺, Na⁺, Cl⁻; aquaporinas |
| Difusão facilitada por carreador | Sim (transportador) | Não | ↓ gradiente | GLUT1–4 (glicose), ureia |
| Transporte ativo primário | Sim (bomba) | ATP direto | ↑ gradiente | Na⁺/K⁺-ATPase, Ca²⁺-ATPase, H⁺/K⁺-ATPase |
| Transporte ativo secundário | Sim | Gradiente de Na⁺ (criado pela bomba) | Um ↑, outro ↓ | SGLT1 (simporte Na⁺/glicose), trocador Na⁺/Ca²⁺, Na⁺/H⁺ |
Simporte (cotransporte): as duas espécies entram no mesmo sentido (SGLT1 no intestino: Na⁺ desce o gradiente e "puxa" glicose contra o gradiente). Antiporte (contratransporte): sentidos opostos (NCX — 3Na⁺ entram, 1Ca²⁺ sai).
Na⁺/K⁺-ATPase: 3Na⁺ para fora, 2K⁺ para dentro, 1ATP por ciclo; é eletrogênica (contribui com −4 a −8 mV); mantém os gradientes que sustentam o potencial de membrana, o volume celular e todo transporte secundário. Inibida por ouabaína/digoxina.
Osmose e tonicidade: água atravessa (aquaporinas/lipídios) do meio hipotônico (menos soluto) para o hipertônico. Osmolaridade = concentração de partículas; tonicidade = efeito real sobre o volume celular (depende de solutos que NÃO atravessam a membrana). Solução isotônica ≈ 300 mOsm/L (SF 0,9%). Hemácia em hipotônico → hemólise; em hipertônico → crenação.
D. Potencial de membrana
Mecanismo: a bomba cria gradientes (Na⁺ alto fora, K⁺ alto dentro), mas o potencial de repouso (≈ −70 mV) resulta sobretudo da alta permeabilidade da membrana ao K⁺ em repouso (canais de fuga): K⁺ sai a favor do gradiente químico, deixa ânions intracelulares para trás e cria gradiente elétrico contrário; o equilíbrio entre as duas forças é o potencial de equilíbrio do K⁺ (equação de Nernst, ≈ −90 mV). Como há pequena permeabilidade ao Na⁺, o potencial real fica entre E_K e E_Na, descrito pela equação de Goldman — por isso ≈ −70 mV. A bomba contribui diretamente com poucos mV, mas é indispensável por manter os gradientes.
E. Sistema de endomembranas e tráfego de proteínas
RER: ribossomos aderidos; síntese de proteínas secretadas, de membrana e lisossômicas; controle de qualidade (chaperonas, p. ex. BiP); glicosilação inicial (N-glicosilação); dobra e formação de pontes dissulfeto.
REL: sem ribossomos; síntese de lipídios e fosfolipídios, metabolismo do glicogênio (glicose-6-fosfatase), detoxificação (citocromo P450 — abundante em hepatócitos), estoque de Ca²⁺ (retículo sarcoplasmático no músculo).
Trajetória completa de uma proteína secretada (ex.: insulina, colágeno): (1) ribossomo livre inicia a tradução; (2) o peptídeo-sinal emerge e é reconhecido pela SRP, que pausa a tradução e ancora o conjunto ao receptor de SRP no RER; (3) a tradução recomeça e o polipeptídio é translocado para o lúmen (ou inserido na membrana, se houver sequência âncora); (4) dobra e glicosilação no RER; (5) vesículas de transição levam ao cis-Golgi; (6) maturação cis→medial→trans com modificações de carboidratos (ex.: manose-6-fosfato para lisossomos); (7) no trans-Golgi ocorre a triagem: vesícula secretora constitutiva, vesícula secretora regulada (grânulo que espera sinal de Ca²⁺) ou endossomo/lisossomo; (8) exocitose por fusão SNARE com a membrana.
Endocitose: fagocitose (partículas grandes, pseudópodes — macrófagos); pinocitose (líquido); endocitose mediada por receptor (clatrina; ex.: captação de LDL). Endossomos: precoce (pH ~6,0) faz a triagem — receptor pode ser reciclado para a membrana (ex.: receptor de LDL) ou enviado para degradação; tardio → lisossomo (pH ~5, hidrolases ácidas) degrada o conteúdo. Função do endossomo em prova: reciclagem de receptores e proteínas transmembrana + rota de degradação.
Peroxissomos: β-oxidação de ácidos graxos de cadeia muito longa; produzem H₂O₂ e o degradam pela catalase; síntese de plasmalogênios (mielina). Doença-reflexo: adrenoleucodistrofia (falha na oxidação de VLCFA).
F. Mitocôndria e bioenergética
Estrutura: membrana externa (porinas, permeável a pequenas moléculas); espaço intermembranas (compartimento dos prótons bombeados); membrana interna (impermeável a íons, cardiolipina, cristas, cadeia respiratória + ATP-sintase); matriz (ciclo de Krebs, β-oxidação, DNA próprio, ribossomos).
Cadeia respiratória (membrana interna): Complexo I (NADH→Q, bombeia H⁺), Complexo II (FADH₂→Q, NÃO bombeia), Q (ubiquinona, móvel), Complexo III (Q→citocromo c, bombeia), citocromo c (móvel, intermembranas), Complexo IV (citocromo c→O₂, bombeia; O₂ é o aceptor final, formando H₂O). O bombeamento cria gradiente eletroquímico de prótons (força próton-motriz) no espaço intermembranas.
ATP-sintase (Complexo V): o retorno dos H⁺ pela subunidade F₀ gira o rotor e a subunidade F₁ fosforila ADP→ATP (fosforilação oxidativa / quimiosmose). Desacopladores (2,4-dinitrofenol, termogenina/UCP1 do tecido adiposo marrom) dissipam o gradiente como calor: consumo de O₂ aumenta, ATP cai. Inibidores: rotenona (I), antimicina A (III), CN⁻/CO (IV), oligomicina (ATP-sintase).
G. Núcleo
Carioteca: DUAS membranas lipoproteicas contínuas ao RE; espaço perinuclear; funde-se na prófase e reforma-se na telófase. Poros nucleares: complexos proteicos (nucleoporinas) que permitem difusão livre apenas de moléculas pequenas (< ~40–60 kDa); macromoléculas exigem transporte ativo mediado por importinas/exportinas e Ran-GTP (com sinal de localização nuclear). Lâmina nuclear: filamentos intermediários tipo lamina na face interna → suporte mecânico e organização da cromatina (mutações → progeria).
Cromatina: eucromatina = descondensada, transcricionalmente ATIVA; heterocromatina = condensada, inativa (constitutiva: centrômeros/telômeros; facultativa: cromossomo X inativo/corpúsculo de Barr). Nucléolo: não tem membrana; é a fábrica de rRNA e montagem das subunidades ribossômicas; muito proeminente em células com alta síntese proteica.
H. Citoesqueleto
| Componente | Diâmetro | Subunidade | Funções-chave | Proteínas motoras/associadas |
|---|---|---|---|---|
| Microfilamentos (actina) | ~7 nm | Actina G→F | Córtex celular, forma, movimentação, anel contrátil da citocinese, microvilos | Miosina (I e II), profilina, filamina |
| Filamentos intermediários | ~10 nm | Queratina, vimentina, desmina, lamina, neurofilamentos | Resistência mecânica à tensão; flexíveis; tecido-específicos (marcadores de origem tumoral) | Sem motoras; ligam-se a desmossomos/hemidesmossomos |
| Microtúbulos | ~25 nm | α/β-tubulina (instabilidade dinâmica; + cresce / − no centrossomo) | Trilhos de transporte, fuso mitótico, cílios e flagelos (9+2), centríolos (9+0) | Cinesina (→ +, periferia) e dineína (→ −, centro; também braços ciliares) |
Fuso mitótico: microtúbulos astrais, cinetocóricos (ligam cinetocoros dos cromossomos) e polares/interpolar. Cílios: axonema 9+2 com dineína; defeito → síndrome dos cílios imóveis (Kartagener: bronquiectasias, sinusite, situs inversus, infertilidade). Citocinese animal: anel contrátil de actina + miosina II forma o sulco de clivagem (diferente da planta, que forma placa celular).
I. Ciclo celular, mitose e meiose
Fases: G1 (crescimento, decisão no ponto de restrição R; células podem sair para G0), S (duplicação do DNA e dos centríolos), G2 (preparo para mitose, checagem), M (mitose + citocinese). Complexos CdK/ciclina = o motor do ciclo: ciclina D–Cdk4/6 (G1), ciclina E–Cdk2 (transição G1/S), ciclina A–Cdk2 (S), ciclina B–Cdk1 (entrada em M). Ciclinas são degradadas por ubiquitina-proteassomo; a APC/C ubiquitina a ciclina B e a securina (libera separase → cliva coesinas → anáfase).
Checkpoints: G1/S (dano ao DNA → p53 → p21 inibe Cdk; se irreparável, apoptose); intra-S; G2/M (DNA não replicado/bloqueio de Cdk1); checkpoint do fuso (SAC) na metáfase (cromossomos não alinhados impedem APC/C).
Mitose: prófase (condensação, some nucléolo, inicia fuso), prometafase (quebra do envelope, fuso começa a se formar na prófase/prometafase), metáfase (alinhamento na placa), anáfase (separação das cromátides-irmãs), telófase (descondensação, reformação nuclear).
Meiose: Prófase I (leptóteno, zigóteno = sinapse, paquíteno = crossing-over/permutação, diplóteno = quiasmas visíveis, diacinese) — é aqui que surge o bivalente/tétrade (par de homólogos = 4 cromátides). Metáfase I alinha pares de homólogos; anáfase I separa homólogos (reducional: 2n→n, cromátides ainda juntas); meiose II é equacional (separa cromátides-irmãs). Resultado: 4 células haploides geneticamente diferentes (permutação + segregação independente).
J. Morte celular programada (apoptose)
Via intrínseca (mitocondrial): estresse (dano ao DNA, privação de fatores) ativa proteínas BH3-only → ativam Bax/Bak (PRÓ-apoptóticas), que permeabilizam a membrana mitocondrial externa (MOMP) → liberação de citocromo c → citocromo c + Apaf-1 + pró-caspase-9 formam o apoptossomo (heptâmero) → ativa caspase-9 → caspases efetoras 3/6/7 → clivagem de alvos (DNA fragmentado, blebs, corpos apoptóticos). Bcl-2 e Bcl-xL são ANTI-apoptóticas (sequestram Bax/Bak/BH3).
Via extrínseca: ligantes de morte (FasL, TNF) → receptores de morte (Fas/CD95) → adaptador FADD → caspase-8 → caspases efetoras (e clivagem de Bid conectando à mitocôndria). Caspases existem como zimógenos inativos; a cascata é amplificadora e, na prática, irreversível após o ponto de compromisso.
| Característica | Apoptose | Necrose |
|---|---|---|
| Controle | Programada, ativa, gasta ATP | Acidental, passiva |
| Morfologia | Encolhimento, cromatina condensada, corpos apoptóticos, membrana íntegra | Inchaço, ruptura de membrana, cariólise |
| Inflamação | Ausente (fagocitose silenciosa) | Presente (conteúdo extravasa) |
| Contexto | Desenvolvimento, homeostase, dano leve ao DNA | Isquemia, toxinas, trauma |
K. Matriz extracelular e junções
Colágenos: tipo I (osso, pele, tendão — o mais abundante), II (cartilagem, vítreo), III (reticular: pele fetal, vasos, granulação), IV (lâmina basal, rede). Síntese: pró-colágeno no RER (hidroxilação de prolina/lisina depende de vitamina C — escorbuto), clivagem extracelular → tropocolágeno → fibrilas.
Integrinas: receptores transmembrana que ligam MEC (fibronectina, colágeno) ao citoesqueleto (via talina/vinculina → actina) e transmitem sinais bidirecionais (inside-out/outside-in).
| Junção | Proteínas | Citoesqueleto | Função |
|---|---|---|---|
| Oclusiva (tight/zônula de oclusão) | Claudinas, ocludinas | Actina | Vedação paracelular, barreira, polaridade (ex.: BHE, epitélio intestinal) |
| Adesiva (zônula de adesão) | Caderinas (E-caderina), cateninas | Actina | Adesão lateral em faixa |
| Desmossomo (mácula de adesão) | Desmocolina/desmogleína | Filamentos intermediários | Adesão pontual resistente à tensão (epiderme; pênfigo = autoanticorpos) |
| Hemidesmossomo | Integrina α6β4, colágeno XVII | Filamentos intermediários | Prende célula à lâmina basal (penfigoide bolhoso) |
| Comunicante (gap/nexo) | Conexinas (conexon = 6 conexinas) | — | Passagem de íons/segundos mensageiros; sincronização (miocárdio) |
L. Histologia — reconhecimento em lâmina

M. Como pode ser cobrado
- Dar a estrutura química e pedir qual interage como anfipática com a água (fosfolipídio/colesterol vs glicose/aminoácido).
- Trocar os papéis de Bcl-2/Bax na apoptose (a banca inverte pró/anti-apoptótico).
- Pedir o compartimento da fosforilação oxidativa (membrana interna) ou do gradiente de prótons (espaço intermembranas).
- Função do endossomo = reciclagem de receptores (não "síntese de proteínas" nem "secreção de hormônios").
- Filamentos intermediários = resistência à tensão, 10 nm (não actina, não microtúbulos).
- Scramblase (não seletiva, RE) × flippase (seletiva, ATP).
- Bivalente/crossing-over = prófase I; fuso inicia na prófase/prometafase.
N. Revisão ativa
O. Checklist do capítulo
Capítulo 2 — Método e Raciocínio Científico I6 questões · capítulo construído para quem tem dificuldade em epidemiologia
A. Visão geral
Toda questão desse módulo pede três habilidades: (1) identificar o desenho do estudo pela direção da investigação (parte da exposição? do desfecho? de ambos ao mesmo tempo?); (2) saber qual medida cada desenho produz; (3) reconhecer vieses e o significado de p, IC, poder e heterogeneidade.
B. Tipos de estudo — ficha completa
| Desenho | Parte de… | Temporalidade | Medida principal | Vantagens | Limitações | Exemplo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Transversal (seccional) | Exposição e desfecho medidos no mesmo momento | Sem seguimento; "fotografia" | Prevalência; RP/OR | Rápido, barato, gera hipóteses | Não estabelece temporalidade (causalidade reversa) | Inquérito de hipertensão e sal em uma cidade |
| Coorte prospectiva | Exposição (sadios no início) | Presente → futuro | Incidência, RR, risco atribuível | Temporalidade clara; múltiplos desfechos; mede incidência | Caro, demorado, perdas de seguimento | Acompanhar fumantes × não fumantes por 20 anos para IAM |
| Coorte retrospectiva (histórica) | Exposição registrada no passado | Passado → presente (dados já existentes) | Incidência, RR | Mais rápida/barata que a prospectiva | Depende da qualidade dos registros | Coorte de trabalhadores expostos a amianto com fichas de 1990 |
| Caso-controle | Desfecho (casos × controles) | Olha para trás (exposição pregressa) | OR (estima RR se doença rara) | Ideal para doenças raras e de longa latência; rápido | Vieses de memória/seleção; não mede incidência | Casos de câncer de pulmão × controles, indagando tabagismo passado |
| Ensaio clínico randomizado | Intervenção alocada pelo pesquisador | Prospectivo | RR, RRR, RAR, NNT; eficácia/efetividade | Maior controle de confundimento (randomização); causalidade | Ético/custo; população selecionada | Nova droga × placebo para prevenção secundária |
| Ecológico | Dados agregados (populações) | Variável | Correlações populacionais | Dados secundários baratos | Falácia ecológica: não vale para indivíduos | Consumo de açúcar × mortalidade por país |
| Série de casos | Descrição de vários pacientes com o desfecho | Descritivo | Sem medida de associação | Descreve doenças novas/raras | Sem grupo de comparação | Relato de 10 pacientes com nova síndrome |
| Revisão sistemática | Pergunta estruturada (PICO) + busca reproducible | Secundário | Síntese qualitativa | Resume toda evidência com método explícito | Depende da qualidade dos primários | Revisão Cochrane sobre anti-hipertensivos |
| Metanálise | Revisão sistemática + síntese estatística | Secundário | Efeito pooled (diamante no forest plot) | Maior poder/precisão | Heterogeneidade, viés de publicação, "garbage in" | Pool de 12 ECRs de estatina |
C. Fluxograma — como descobrir o tipo de estudo
D. Medidas de frequência
- Incidência: casos novos / população em risco no período (taxa de incidência usa pessoa-tempo). Exige seguimento → coorte/ECR.
- Prevalência: casos existentes (novos + antigos) / população em um ponto ou período. Relaciona-se: P ≈ I × duração da doença.
- Risco: probabilidade de evento no período. Taxa: evento por pessoa-tempo. Mortalidade: óbitos / população (geral ou específica). Letalidade: óbitos / doentes (gravidade da doença).
E. Medidas de associação e impacto
- RR = incidência expostos / incidência não expostos (coorte, ECR). RR=1: sem associação; IC que cruza 1 = não significativo.
- OR = odds de exposição nos casos / odds nos controles (caso-controle); aproxima RR quando a doença é rara.
- RAR (redução de risco absoluta) = |I_exposto − I_não exposto| (ou |taxa controle − taxa tratamento|). RRR = RAR / taxa do controle. NNT = 1/RAR (arredondar para cima).
- Exemplo: evento 8% no placebo e 6% no tratamento → RAR 2% (0,02), RRR 25%, NNT = 50.
F. Testes diagnósticos
| Doente (padrão-ouro +) | Sadio (padrão-ouro −) | |
|---|---|---|
| Teste + | VP | FP |
| Teste − | FN | VN |
- Sensibilidade = VP/(VP+FN) → capacidade de detectar doentes; teste sensível com resultado negativo EXCLUI (SnNout).
- Especificidade = VN/(VN+FP) → capacidade de confirmar sadios; teste específico com resultado positivo CONFIRMA (SpPin).
- VPP = VP/(VP+FP) e VPN = VN/(VN+FN): dependem da prevalência. Prevalência alta ↑VPP e ↓VPN; prevalência baixa ↑VPN e ↓VPP. Sensibilidade/especificidade NÃO mudam com a prevalência.
- Curva ROC: plota sensibilidade × (1−especificidade) para cada ponto de corte; AUC = acurácia global (1 = perfeito; 0,5 = inútil). O ponto de corte ideal fica no canto superior esquerdo. Usada para comparar testes e escolher cutoff.
G. Estatística inferencial
- H₀: hipótese de "não diferença/não associação". Valor de p: probabilidade de obter resultado tão ou mais extremo quanto o observado, assumindo H₀ verdadeira. p<0,05 → rejeita H₀ (convencional).
- Erro tipo I (α): rejeitar H₀ verdadeira = concluir que existe diferença quando não existe (falso positivo).
- Erro tipo II (β): não rejeitar H₀ falsa = deixar de detectar diferença real (falso negativo). Poder = 1−β (probabilidade de detectar diferença se ela existir); aumenta com n maior, efeito maior e α maior.
- IC 95%: faixa de valores plausíveis para o parâmetro; se o IC de RR/OR inclui 1 (ou de diferença inclui 0), não há significância. IC dá precisão; p dá apenas decisão.
H. Vieses e confundimento
| Tipo | Onde aparece | Exemplo | Controle |
|---|---|---|---|
| Seleção | Formação dos grupos | Berkson (hospitalares); voluntários saudáveis; perdas seletivas de seguimento | Amostragem adequada, critérios claros, analisar perdas |
| Informação/memória (recordação) | Coleta de exposição/desfecho | Casos lembram exposição melhor que controles (caso-controle) | Cegamento do entrevistador, registros objetivos |
| Aferição/medição | Instrumento descalibrado, observador não cego | Avaliador que sabe o grupo classifica melhor o desfecho | Cegamento, calibração, padronização |
| Perdas de seguimento | Coortes | >20% de perdas diferencialmente distribuídas | Intenção de tratar, análise de sensibilidade |
| Confundimento | 3ª variável associada à exposição E ao desfecho, fora da cadeia causal | Café × câncer de pulmão confundido por tabagismo | Randomização, restrição, pareamento, estratificação, análise multivariada |
I. Ensaio clínico — pilares
- Randomização: sorteio da alocação; equilibra confundidores conhecidos e desconhecidos.
- Ocultação da alocação (sigilo de alocação): impedir que quem inclui o paciente saiba o próximo grupo — é DIFERENTE de cegamento (ocorre antes da inclusão).
- Cegamento: simples (paciente), duplo (paciente+pesquisador), triplo (+analista); reduz vieses de aferição/placebo.
- Intenção de tratar: analisa no grupo sorteado, independentemente da adesão — preserva a randomização e estima efetividade; análise por protocolo estima eficácia mas reintroduz viés.
- Fases: I (segurança, poucos sadios), II (dose/eficácia inicial), III (comparativo grande), IV (farmacovigilância pós-mercado).
J. Metanálise e forest plot — leitura visual

- Heterogeneidade: variabilidade verdadeira entre estudos; avaliada por Q de Cochran e I² (ex.: >50% = alta). Não é o funnel plot!
- Modelo de efeitos aleatórios: assume que cada estudo estima um efeito verdadeiro diferente (distribuição de efeitos) — usado com heterogeneidade; dá pesos mais equilibrados. Efeitos fixos: assume um único efeito verdadeiro comum.
- Funnel plot: efeito × precisão; assimetria sugere viés de publicação (estudos pequenos negativos não publicados).
K. Como pode ser cobrado
- "Melhor forma de apresentar taxa de desfecho e relação exposição-desfecho em coorte" = incidência e risco relativo.
- Pergunta de prognóstico → coorte; tratamento → ECR; doença rara/exposição rara → caso-controle (exposição rara = coorte!); prevalência → transversal.
- Erro tipo I = "concluir diferença inexistente". Diamante = efeito pooled. Funnel = viés de publicação; I²/Q = heterogeneidade.
- Efeitos aleatórios = estudos estimam efeitos verdadeiros diferentes.
L. Revisão ativa
M. Checklist do capítulo
Capítulo 3 — Sistema Circulatório / Cardiovascular8 questões · anatomia, histologia, eletrofisiologia, ciclo, hemodinâmica e circulação fetal
A. Visão geral
Três eixos: bomba (ciclo cardíaco + contratilidade + Frank-Starling), eletricidade (potenciais de ação + ECG + condução) e tubos (hemodinâmica, Poiseuille, microcirculação e controle da PA). A prova gosta de cruzar o ciclo com o ECG e de hemodinâmica conceitual (raio, resistência, turbulência).
B. Anatomia do coração e grandes vasos

- Câmaras e fluxo: VCS/VCI → AD → (tricúspide) → VD → (pulmonar) → tronco pulmonar → pulmões → veias pulmonares (4, sangue OXIGENADO) → AE → (mitral) → VE → (aórtica) → aorta. O lado direito é anatomicamente o "pulmonar"; o esquerdo, o "sistêmico".
- Grandes vasos do arco: tronco braquiocefálico (→ carótida comum D + subclávia D), carótida comum E, subclávia E. Variações: arco "bovino"/origem comum do tronco braquiocefálico e CCE = variante mais frequente; subclávia direita anômala (origem na aorta descendente, retroesofágica) = anomalia congênita mais comum do arco (~1%), e sua origem dilatada = divertículo de Kommerell. Artéria vertebral esquerda pode nascer direto do arco (entre tronco braquiocefálico e CCE, em geral entre CCE e subclávia E).
- Coronárias: coronária esquerda → DA (interventricular anterior) + circunflexa; coronária direita → marginal direita e, em ~85% (dominância direita), a descendente posterior. DA irriga 2/3 anteriores do septo e ápice; a área do nó sinusal é irrigada pela CD em ~60%.
- Sistema de condução: nó sinusal (junção VCS-AD) → feixes internodais → nó AV (atraso ~0,1 s, protege o ventrículo) → feixe de His → ramos D/E → Purkinje.
- Relações cirúrgicas/vasculares periféricas (estilo da prova): artéria femoral comum origina-se da ilíaca externa após ramos circunflexa ilíaca profunda? (na prática: após epigástrica inferior e circunflexa ilíaca); no segmento distal da femoral superficial surge a artéria genicular descendente; após o hiato do adutor a femoral vira poplítea; artérias dorsais do pé/pediosa e plantar medial continuam a tibial anterior, enquanto társica lateral e plantar lateral derivam da tibial posterior; tronco tíbio-fibular é bifurcação (não trifurcação) frequente.
C. Histologia do coração
- Endocárdio: endotélio + subendocárdio (contém fibras de Purkinje).
- Miocárdio: cardiomiócitos estriados, 1–2 núcleos centrais, ramificados, unidos por discos intercalares (zônulas de adesão + desmossomos + junções comunicantes = sincício funcional); mitocôndrias abundantes (~30% do volume).
- Epicárdio: mesotélio + tecido adiposo; contém coronárias; é o folheto visceral do pericárdio seroso.
- Células marcapasso: menores, com menos miofibrilas, no nó sinusal e AV.
D. Eletrofisiologia
Potencial de ação do cardiomiócito ventricular (fases): 0 despolarização rápida por canais rápidos de Na⁺; 1 repolarização inicial (K⁺ transitório, fechamento de Na⁺); 2 plateau = entrada de Ca²⁺ por canais lentos tipo L equilibrada por saída de K⁺ (é o plateau que garante o período refratário longo e a contração); 3 repolarização (K⁺); 4 repouso estável ≈ −90 mV (Na/K-ATPase).
Células marcapasso: sem repouso estável: despolarização diastólica espontânea (fase 4 instável) por corrente "funny" (If, Na⁺/K⁺), entrada de Ca²⁺ tipo T e L, e queda de K⁺; limiar ≈ −40 mV; fase 0 por Ca²⁺ L (lenta). Simpático (β1) ↑ If e Ca → ↑FC (cronotropismo positivo); parassimpático (M2) ↓ If → ↓FC.
E. ECG — correlação
| Onda/intervalo | Evento elétrico | Evento mecânico associado |
|---|---|---|
| P | Despolarização atrial | Sístole atrial (fim do enchimento) |
| PR (120–200 ms) | Condução AV (atraso no nó AV) | Enchimento ventricular passivo + sístole atrial |
| QRS (<120 ms) | Despolarização ventricular (repolarização atrial escondida) | Início da contração isovolumétrica |
| ST | Plateau (fase 2) | Ejeção |
| T | Repolarização ventricular | Início do relaxamento isovolumétrico |
| QT | Sístole elétrica ventricular | Sístole mecânica |
F. Ciclo cardíaco (diagrama de Wiggers)

- S1 = fechamento das AV (início da sístole); S2 = fechamento das semilunares (início da diástole); desdobramento fisiológico de S2 na inspiração (fecha pulmonar mais tarde).
- Sístole = contração isovolumétrica + ejeção; diástole = relaxamento isovolumétrico + enchimento (rápido, diástase, sístole atrial). ~2/3 do enchimento é passivo.
- Nas fases isovolumétricas todas as valvas estão fechadas e o volume não muda — só a pressão.
G. Hemodinâmica da bomba
- DC = FC × VS (≈ 5 L/min; VS ≈ 70 mL; FE = VS/VED ≈ 55–65%).
- Pré-carga: grau de estiramento do miocárdio ao fim da diástole (=VED/volume de retorno venoso). ↑ pré-carga → ↑VS pela lei de Frank-Starling (maior sobreposição actina-miosina e maior sensibilidade ao Ca²⁺).
- Pós-carga: tensão que o VE precisa vencer para ejetar (pressão aórtica/RESISTÊNCIA periférica/raio do vaso). ↑ pós-carga → ↓VS, ↑VES, ↑trabalho cardíaco (hipertensão, estenose aórtica).
- Contratilidade (inotropismo): força de contração independente do comprimento da fibra: ↑ por simpático/β1 (↑Ca²⁺ intracelular), digoxina; ↓ por isquemia, β-bloqueadores. No gráfico de Frank-Starling, ↑contratilidade desloca a curva para cima/esquerda; ↑pré-carga = movimento AO LONGO da curva.
H. Fluxo, resistência e turbulência
- Poiseuille: R = 8ηL / (π r⁴); Fluxo = ΔP / R. O raio elevado à 4ª potência domina tudo: reduzir o raio pela metade = resistência ×16. Por isso, diminuir o raio do cilindro tem o maior impacto na queda de fluxo (clássico de prova).
- Associação: resistências em série somam; em paralelo, o total é MENOR que a menor delas (leitos capilares em paralelo reduzem a resistência total).
- Número de Reynolds: Re = (ρ·v·d)/η; Re > ~2000 → fluxo turbulento (sopros, frêmitos, sons de Korotkoff). Estenoses aumentam velocidade local e geram turbulência a jusante; dilatação pós-estenótica é sinal radiológico de estenose significativa. Aneurismas: fluxo turbilhonar com zonas de estase → formam trombos (não o contrário!).
- Velocidade × área: velocidade é máxima na aorta e mínima nos capilares (área total enorme) — ideal para trocas.
I. Microcirculação e Starling
Equação de Starling: Jv = Kf · [(Pc − Pi) − σ(πc − πi)]. Forças de saída: hidrostática capilar (Pc ≈ 35 mmHg no arterial, 15 no venoso) e oncótica intersticial; forças de entrada: oncótica plasmática (πc ≈ 25–28 mmHg, albumina) e hidrostática intersticial. Resultado: filtração no arterial, reabsorção no venoso + drenagem linfática do excedente (~2–4 L/dia) e das proteínas extravasadas.
Edema por: ↑Pc (ICC, insuficiência venosa), ↓πc (síndrome nefrótica, cirrose, desnutrição), ↑Kf/permeabilidade (inflamação, queimadura), obstrução linfática (linfedema, filariose).
J. Controle da pressão arterial
- Barorreceptores (seio carotídeo e arco aórtico): ↑PA → ↑descarga aferente → núcleo do trato solitário → ↑parassimpático e ↓simpático (↓FC, ↓RESISTÊNCIA, ↓PA). Resposta em segundos; adapta em dias (hipertensão crônica "resseta" o ponto).
- Quimiorreceptores periféricos: hipóxia/hipercapnia/acidose → ↑simpático (vasoconstrição) e ↑ventilação.
- RAAS: ↓perfusão renal/↓Na⁺/↑simpático → renina (justaglomerulares) → angiotensinogênio→ANG I → ECA (pulmão)→ANG II: vasoconstrição (AT1), ↑aldosterona (reabsorve Na⁺/água), ↑ADH, ↑sede, ↑simpático, hipertrofia.
- ADH (vasopressina): ↑reabsorção de água (V2) e vasoconstrição (V1). Peptídeo natriurético atrial: oposto (natriurese, vasodilatação).
K. Circulação fetal e mudanças ao nascimento
- Sangue mais oxigenado chega pela veia umbilical → ducto venoso (desvia do fígado) → VCI → AD → forame oval → AE → VE → aorta ascendente (prioriza cérebro/coração).
- Sangue da VCS → AD → VD → tronco pulmonar → como o pulmão fetal é de alta resistência, a maior parte desvia pelo ducto arterioso → aorta descendente → artérias umbilicais → placenta.
- Ao nascer: clampeamento do cordão → ↑RESISTÊNCIA sistêmica e ↓fluxo umbilical; primeira respiração → ↓RESISTÊNCIA pulmonar → ↑retorno pulmonar → ↑pressão AE > AD → fechamento funcional do forame oval; ↑PaO₂ + ↓prostaglandinas → fechamento do ducto arterioso (ligamento arterioso); ducto venoso → ligamento venoso.
L. Como pode ser cobrado
- Potencial de ação cardíaco: "canais rápidos de Na⁺ e canais lentos de Ca²⁺" (fase 0 e plateau).
- Incisura dicrótica = fechamento da aórtica (não abertura).
- Frank-Starling: sobredistensão EXTREMA não reduz FE em 25% — a relação é crescente até platô.
- Poiseuille: raio é o fator de maior impacto.
- Variações do arco: divertículo de Kommerell = dilatação da origem da subclávia direita anômala.
- Ciclo: em qual fase todas as valvas estão fechadas? (isovolumétricas).
M. Revisão ativa
N. Checklist do capítulo
Capítulo 4 — Sistema Respiratório7 questões · um dos capítulos mais completos, por ser sua principal dificuldade
A. Visão geral
Quatro blocos que se encadeiam: ventilação (mecânica e volumes), difusão (Fick), perfusão e relação V/Q, e transporte + controle. Entenda pressões primeiro: tudo o mais deriva delas.
B. Anatomia

- Zona de condução: nariz → faringe → laringe → traqueia → brônquios → bronquíolos terminais (sem trocas; = espaço morto anatômico ~150 mL). Zona respiratória: bronquíolos respiratórios → ductos alveolares → sacos/alvéolos (~300 milhões; ~70–100 m² de superfície).
- Traqueia: 16–20 anéis de cartilagem hialina em "C" (abertos posteriormente, onde fica o músculo traqueal); brônquios têm placas cartilaginosas; bronquíolos não têm cartilagem (predomina músculo liso — alvo da asma).
- Pleuras: parietal (inervada por nervos somáticos/intercostais e frênico — dor localizada) e visceral (autônoma — pouco sensível); espaço pleural com filme líquido e pressão subatmosférica.
C. Histologia — como diferenciar traqueia, brônquio, bronquíolo e alvéolo


| Estrutura | Epitélio | Cartilagem | Glândulas | Músculo liso |
|---|---|---|---|---|
| Traqueia | Pseudoestratificado cilíndrico ciliado + caliciformes | Anéis em C | Sim (submucosa) | Pouco (m. traqueal) |
| Brônquio | Pseudoestratificado cilíndrico ciliado | Placas irregulares | Sim (diminuem) | Presente em feixes |
| Bronquíolo | Simples cúbico ciliado (Clara/club cells) | Não | Não | Predominante |
| Alvéolo | Pneumócitos I e II (epitélio alveolar) | Não | Não | Não |
Pneumócito I: achatado, cobre ~95% da superfície, faz a barreira de difusão. Pneumócito II: cuboide, produz surfactante (corpos lamelares) e é a célula progenitora de reposição. Poros de Kohn: comunicações interalveolares (ventilação colateral).
D. Embriologia
- Origem: divertículo respiratório (brotamento laringotraqueal) do endoderma do intestino anterior (~4ª semana), com contribuição do mesoderma esplâncnico para cartilagem/músculo/vasos.
- Septo traqueoesofágico separa traqueia (ventral) do esôfago (dorsal); defeito → fístula traqueoesofágica (geralmente com atresia de esôfago: polidrâmnio, salivação, engasgo).
- Fases: embrionária (4–7 sem) → pseudoglandular (7–16: árvore até bronquíolos terminais; pulmão parece glândula; feto não viável) → canalicular (16–25: bronquíolos respiratórios, vascularização, surgem pneumócitos I/II) → sacular (24–38: sacos terminais, surfactante aumenta) → alveolar (tardia fetal → ~8 anos: alvéolos maduros multiplicam-se, sobretudo pós-natal).
- Surfactante detectável ~20–22 sem; quantidade adequada ~34–35 sem. Prematuro → síndrome do desconforto respiratório (deficiência de surfactante).
E. Mecânica ventilatória e pressões
- Pressão alveolar (Palv): 0 no fim da expiração com glote aberta; negativa na inspiração (−1), positiva na expiração (+1).
- Pressão intrapleural (Ppl): sempre subatmosférica em repouso (≈ −5 cmH₂O) pela tração elástica do pulmão contra a parede; torna-se mais negativa na inspiração (≈ −8).
- Pressão transpulmonar = Palv − Ppl: é a pressão de distensão que mantém o pulmão aberto. Se Ppl iguala a Palv (pneumotórax), o pulmão colapsa pelo seu recuo elástico e a parede torácica expande.
- Inspiração: diafragma contrai (desce) + intercostais externos (elevam costelas) → ↑volume → Ppl mais negativa → Palv < Patm → ar entra. Expiração tranquila é PASSIVA (recuo elástico); a forçada usa abdominais + intercostais internos.
- Complacência C = ΔV/ΔP: facilidade de distender (↑ na enfisema/destruição elástica; ↓ na fibrose, deficiência de surfactante, congestão). Elastância = inverso (tendência a recolher).
- Surfactante (dipalmitoilfosfatidilcolina + proteínas): reduz a tensão superficial alveolar, ↑complacência, impede colapso dos alvéolos pequenos e edema. Lei de Laplace: P = 2T/r — sem surfactante, alvéolos pequenos teriam pressão de colapso maior e esvaziariam nos maiores; o surfactante reduz T proporcionalmente mais nos alvéolos pequenos, estabilizando-os.
F. Volumes e capacidades
| Parâmetro | Valor típico (adulto) | Definição |
|---|---|---|
| VT (volume corrente) | ~500 mL | Ar por ciclo tranquilo |
| VRI | ~3.100 mL | Inspirável além do VT |
| VRE | ~1.200 mL | Expirável além do tranquilo |
| VR (residual) | ~1.200 mL | Resta após expiração máxima (não mensurável por espirometria) |
| CI = VT+VRI | ~3.600 mL | Capacidade inspiratória |
| CRF = VRE+VR | ~2.400 mL | Capacidade residual funcional (equilíbrio elástico) |
| CV = VT+VRI+VRE | ~4.800 mL | Capacidade vital |
| CPT = CV+VR | ~6.000 mL | Capacidade pulmonar total |
| Espaço morto anatômico | ~150 mL | Vias de condução |
Espirometria: VEF1 = volume expirado no 1º s; CVF = capacidade vital forçada; relação VEF1/CVF ≥ 0,7. Obstrutivo (asma, DPOC): ↓VEF1/CVF, ↑VR/CPT (hiperinsuflação). Restritivo (fibrose): ↓CVF e ↓CPT com relação normal ou alta.
G. Difusão — Lei de Fick
Vgas ∝ (A · D · ΔP) / espessura, onde D depende da solubilidade/√PM. CO₂ difunde ~20× mais rápido que O₂ (muito mais solúvel) — por isso, na difusão prejudicada, a hipoxemia aparece antes da hipercapnia. Fatores que reduzem difusão: ↑espessura (edema, fibrose), ↓área (enfisema, pneumonectomia), ↓ΔP (altitude), ↓tempo de trânsito (exercício intenso).
H. Relação ventilação/perfusão (V/Q)
- A gravidade torna a perfusão muito mais desigual que a ventilação: base > ápice em ambos, mas o gradiente de fluxo sanguíneo é mais acentuado. Resultado: ápice V/Q ≈ 3 (relativo espaço morto; PO₂ alveolar alta), base V/Q ≈ 0,6 (relativo shunt; maior troca absoluta), média global ≈ 0,8.
- V/Q = 0 (shunt verdadeiro): alvéolo perfundido e não ventilado (atelectasia, edema pulmonar grave, consolidação) → hipoxemia que não corrige totalmente com O₂ 100%.
- V/Q = ∞ (espaço morto alveolar): ventilado e não perfundido (embolia pulmonar).
- Gradiente A-a de O₂: diferença entre PO₂ alveolar calculada e PaO₂ medida; normal < 10–15 mmHg (aumenta com idade). ↑ em shunt, distúrbio V/Q e defeito de difusão; normal em hipoventilação pura e altitude (a hipoxemia vem de PAO₂ baixa, não do pulmão).
I. Transporte de gases
O₂: conteúdo arterial = (1,34 × Hb × SatO₂) + (0,003 × PaO₂). A maior parte vai ligada à Hb; o dissolvido é desprezível. Curva de dissociação sigmoide (cooperatividade): platô acima de PaO₂ 60 mmHg (segurança), trecho íngreme nos tecidos (libera muito O₂ com pequena queda de PO₂). Desvio para a DIREITA (↓afinidade, libera O₂): ↑CO₂, ↑H⁺ (↓pH), ↑temperatura, ↑2,3-DPG (altitude, exercício, anemia crônica). Desvio para a ESQUERDA (↑afinidade, segura O₂): ↓CO₂, ↑pH, ↓temperatura, Hb fetal, CO, metemoglobina, sangue estocado.
Efeito Bohr: ↑CO₂/H⁺ nos tecidos desloca a curva à direita e facilita a liberação de O₂ (e, no pulmão, o inverso facilita a captação). Monóxido de carbono: afinidade ~200–250× maior que O₂; ocupa sítios da Hb E desloca a curva à esquerda (piora a liberação tecidual); PaO₂ pode estar NORMAL com saturação de O₂ da Hb despencada — a oximetria de pulso não distingue carboxi-Hb!
CO₂: ~70% como bicarbonato (CO₂ + H₂O → H₂CO₃ → H⁺ + HCO₃, pela anidrase carbônica dentro da hemácia; HCO₃⁻ sai em troca de Cl⁻ = desvio do cloreto); ~20–25% carbamino (ligado a grupos amino da Hb); ~7% dissolvido. Efeito Haldane: a desoxigenação da Hb aumenta sua capacidade de carregar CO₂/H⁺ (nos tecidos); no pulmão, a oxigenação libera CO₂.
J. Controle da respiração
- Centros bulbares: grupo respiratório dorsal (inspiração, ritmo básico) e ventral (expiração forçada); ponte: centro pneumotáxico (limita a inspiração, ↑FR) e apnêustico (prolonga a inspiração).
- Quimiorreceptores CENTRAIS (bulbo): sensíveis ao H⁺ do líquido intersticial cerebral, que varia com a PaCO₂ (CO₂ cruza a BHE e hidrata); NÃO respondem diretamente ao O₂. São o principal controle do ritmo em repouso (hipercapnia = estímulo poderoso).
- Quimiorreceptores PERIFÉRICOS (corpúsculos carotídeos e aórticos): respondem a ↓PaO₂ (significativa abaixo de ~60 mmHg), ↑H⁺ e ↑K⁺; via nervos de Hering (IX) e vago (X).
- Reflexo de Hering-Breuer: receptores de estiramento pulmonar (vago) inibem a inspiração quando o pulmão insufla (protege contra hiperinsuflação; importante em recém-nascidos).
- DPOC crônico com retenção de CO₂: o drive central dessensibiliza e o estímulo passa a vir sobretudo da hipoxemia periférica — cuidado com O₂ excessivo sem monitoração.
K. Pneumotórax — explicação fisiológica
A pleura visceral e a parietal formam um espaço virtual com pressão negativa que "cola" o pulmão à parede. Se o ar entra nesse espaço (trauma, bolha rota), Ppl → 0 (iguala a atmosférica): desaparece a pressão transpulmonar, o pulmão colapsa pelo recuo elástico próprio e a parede torácica se expande para fora. Consequências: ↓ventilação ipsilateral, desvio de mediastino no hipertensivo (compressão do retorno venoso = choque obstrutivo), hipoxemia com ↑gradiente A-a por shunt relativo.
L. Como pode ser cobrado
- Brônquio direito mais largo/curto/vertical (aspiração).
- Pneumócito II = surfactante; tipo I = difusão.
- Septo traqueoesofágico divide traqueia ventral / esôfago dorsal; fases pseudoglandular→canalicular→sacular→alveolar.
- Paralisia de meia cúpula diafragmática por lesão do frênico NÃO afeta o lado contralateral (inervações separadas).
- Composição do ar expirado = mistura de espaço morto + gás alveolar.
- Gradiente de fluxo sanguíneo ápice-base > gradiente de ventilação.
- ↓ventilação → ↑CO₂ e ↑H⁺ (acidose respiratória).
- Quimiorreceptores periféricos = PO₂ baixa e pH; centrais = CO₂/H⁺ do LCR.
M. Revisão ativa
N. Checklist do capítulo
Capítulo 5 — Sistema Nervoso12 questões · prioridade máxima junto com Citologia
A. Visão geral
Eixos: desenvolvimento (tubo neural e vesículas), célula (neurônio e glia), sinal (potencial de ação, sinapse, neurotransmissores), arquitetura (medula, tronco, cerebelo, diencéfalo, telencéfalo), sistemas (motor, sensitivo, autonômico, límbico, sono, LCR, vascular).
B. Embriologia
- Neurulação: placa neural → sulco → tubo neural (fechamento dos neuróporos ~dia 25–28; depende de folato; defeito = anencefalia/espinha bífida). Crista neural: células que migram das bordas → gânglios sensitivos e autonômicos, medula adrenal, melanócitos, Schwann, meningens (pia/aracnoide), cartilagens faciais.
- Placas alares (dorsais) = sensitivas; placas basais (ventrais) = motoras; sulco limitante entre elas. Regra que se mantém na medula adulta: corno posterior sensitivo, corno anterior motor.
- Vesículas: prosencéfalo → telencéfalo (cérebro) + diencéfalo (tálamo, hipotálamo, retina); mesencéfalo → mesencéfalo; rombencéfalo → metencéfalo (ponte + cerebelo) + mielencéfalo (bulbo). Lúmenes: ventrículos laterais, III, aqueduto, IV.
C. Neurônio e glia

| Célula glial | Função | Pearl de prova |
|---|---|---|
| Astrócito | Suporte, K⁺ e glutamato extracelular, BHE (pés vasculares), cicatriz gliótica | Não forma BHE sozinho (é o endotélio com tight junctions) |
| Oligodendrócito | Mielina no SNC | Um único oligodendrócito mieliniza VÁRIOS axônios |
| Célula de Schwann | Mielina no SNP | 1 Schwann : 1 segmento de 1 axônio |
| Micróglia | Fagocitose, imunidade do SNC (origem mesodérmica/mieloide) | Ativa em infecções/neurodegeneração |
| Ependimócito | Revestem ventrículos; plexo coroide produz LCR | Células ependimárias + capilares = plexo coroide |
D. Potencial de ação e condução
- Limiar ≈ −55 mV → abertura de canais de Na⁺ voltagem-dependentes (despolarização regenerativa) → pico ~+30–40 mV → inativação de Na⁺ + abertura retardada de K⁺ → repolarização e hiperpolarização transitória.
- Período refratário absoluto: canais de Na⁺ inativados (impede retorno e limita frequência); relativo: precisa de estímulo supra-limiar (K⁺ ainda aberto).
- Condução saltatória: mielina isola e aumenta a resistência de membrana; o PA "salta" entre nós de Ranvier (ricos em canais de Na⁺) → mais rápido e econômico. Desmielinização (esclerose múltipla, Guillain-Barré) reduz velocidade sem perder o axônio inicialmente.
E. Sinapse e neurotransmissores
Sequência: PA no terminal → abertura de canais de Ca²⁺ voltagem-dependentes → influxo de Ca²⁺ → proteínas SNARE (sinaptobrevina/VAMP na vesícula; sintaxina e SNAP-25 na membrana) → fusão e exocitose → neurotransmissor na fenda → receptor pós-sináptico → remoção (reuptake, degradação enzimática, difusão).
- Receptores ionotrópicos: canal iônico acoplado diretamente (resposta em ms): AMPA, NMDA, GABA-A, nicotínico.
- Metabotrópicos: GPCR com segundos mensageiros (resposta lenta e moduladora): muscarínicos, adrenérgicos, GABA-B, glutamatérgicos mGluR, dopaminérgicos.
- EPSP (despolarizante, soma para o limiar) × IPSP (hiperpolarizante). Somação temporal (mesma sinapse em sequência) e espacial (várias sinapses simultâneas) = integração dos sinais sinápticos recebidos pelo neurônio no cone de implantação.
| Neurotransmissor | Local principal | Receptores/função | Clínica |
|---|---|---|---|
| Glutamato | Principal excitatório do SNC | AMPA (Na⁺, EPSP rápido), NMDA (Ca²⁺, bloqueado por Mg²⁺ em repouso; plasticidade/LTP), mGluR | Excitotoxicidade na isquemia |
| GABA | Principal inibitório do encéfalo | GABA-A (Cl⁻; benzodiazepínicos ↑frequência de abertura; barbitúricos ↑tempo), GABA-B (K⁺) | Ansiolíticos, antiepilépticos |
| Glicina | Inibitório de medula e tronco | Canal de Cl⁻ | Estricnina bloqueia → espasmos |
| Acetilcolina | Junctional NMJ, autonômico, basal forebrain | Nicotínico (ionotrópico), muscarínico (GPCR) | Miastenia (receptor NMJ); Alzheimer |
| Dopamina | Substância negra→estriado (nigroestriatal); VTA→límbico (mesolímbico); tuberoinfundibular | D1-like (↑cAMP), D2-like (↓cAMP) | Parkinson (nigroestriatal); psicose/prolactina (mesolímbico/tuberoinfundibular) |
| Serotonina (5-HT) | Núcleos da rafe | 5-HT1–7 (maioria GPCR) | Depressão, SSRIs |
| Noradrenalina | Locus ceruleus; pós-ganglionares simpáticos | α1, α2, β1, β2 | Atenção, alerta |
F. Medula espinal, raízes e reflexos
- Corno anterior: neurônios motores (somáticos) que controlam musculatura esquelética voluntária. Corno posterior: interneurônios/neurônios de projeção sensitiva (substância gelatinosa = lâmina II, dor). Corno lateral: T1–L2 simpático; S2–S4 parassimpático (núcleos viscerais).
- Raiz dorsal = sensitiva, com gânglio da raiz dorsal (corpos de neurônios pseudo-unipolares); raiz ventral = motora. Lei de Bell-Magendie.
- Reflexo de estiramento (miotático): fuso muscular detecta alongamento → aferente Ia → sinapse monossináptica excitatória no motoneurônio α do mesmo músculo (+ inibição recíproca do antagonista). Ex.: patelar.
- Órgão tendinoso de Golgi: detecta tensão → aferente Ib → interneurônio inibitório → relaxa o músculo (proteção contra carga excessiva).
- Reflexo de retirada (flexor): polissináptico, dor (Aδ/C), com extensão cruzada.
G. Sistema nervoso autônomo
| Simpático | Parassimpático | |
|---|---|---|
| Origem | Toracolombar (T1–L2) | Craniossacral (III, VII, IX, X + S2–S4) |
| Gânglios | Paravertebrais/pré-vertebrais (longe do alvo; pré curto, pós longo) | Perto ou dentro do alvo (pré longo, pós curto) |
| Pré-ganglionar | ACh (nicotínico) | ACh (nicotínico) |
| Pós-ganglionar | Noradrenalina — EXCEÇÃO: glândulas sudoríparas (ACh muscarínico) e medula adrenal (pré-ganglionar direto → cromafins liberam adrenalina) | ACh (muscarínico) |
| Efeitos | ↑FC, ↑contratilidade, vasoconstrição cutânea/α1, broncodilatação β2, midríase, ↓peristaltismo | ↓FC, miose, broncoconstrição, ↑peristaltismo, ereção, secreções |
H. Nervos cranianos — resumo funcional
I olfatório (cheiro); II óptico (visão); III oculomotor (elevação da pálpebra, movimentos medial/superior/inferior, miose e acomodação parassimpática); IV troclear (oblíquo superior — olhar para baixo e dentro); V trigêmeo (sensibilidade da face + mastigação; V1 oftálmico, V2 maxilar, V3 mandibular); VI abducente (reto lateral); VII facial (mímica facial, paladar 2/3 anteriores, lacrimal/submandibular); VIII vestíbulo-coclear; IX glossofaríngeo (paladar 1/3 posterior, sensibilidade da faringe, parótida, baro/quimiorreceptores carotídeos); X vago (parassimpático torácico-abdominal, fonação, deglutição); XI acessório (ECM e trapézio); XII hipoglosso (língua).
I. Sistemas motor superior × inferior
| Sinal | Lesão de NMS (piramidal) | Lesão de NMI |
|---|---|---|
| Tônus | Espasticidade | Flacidez |
| Reflexos | Hiper-reflexia, clônus | Hipo/arreflexia |
| Babinski | Presente (extensão do hálux) | Ausente |
| Atrofia | Discreta (desuso) | Acentuada + fasciculações |
| Local | Córtex motor, cápsula interna, tronco, medula (via corticoespinhal) | Corno anterior, raiz ventral, plexo, nervo, NMJ |
J. Cerebelo, núcleos da base, diencéfalo
- Cerebelo: vestíbulo-cerebelo (equilíbrio, VOR), espino-cerebelo (tônus e execução), cerebro-cerebelo (planejamento). Lesão = ataxia ipsilateral, dismetria, tremor intencional, disdiadococinesia, nistagmo.
- Núcleos da base: via direta (córtex→estriado D1→inibe GPi/SNr→tálamo liberado→facilita movimento); via indireta (estriado D2→GPe↓→núcleo subtalâmico↑→GPi↑→inibe movimento). Dopamina excita a direta (D1) e inibe a indireta (D2) → pró-movimento. Parkinson: perda nigroestriatal → hipocinesia, rigidez, tremor de repouso. Lesão do núcleo subtalâmico → hemibalismo contralateral. Huntington: perda de neurônios da via indireta → coreia.
- Tálamo: VPL (corpo), VPM (face), CGL (visão), CGM (audição), VL (motor). Toda sensibilidade consciente passa pelo tálamo (exceto olfato).
- Hipotálamo: termorregulação (anterior = perda de calor; posterior = conservação), fome/saciedade (lateral = fome; ventromedial = saciedade), osmorregulação (ADH — núcleos supraóptico/paraventricular), circadiano (SCN→pineal/melatonina), eixo hipofisário, resposta de luta/fuga (simpático).
- Córtex: área 4 motora primária (homúnculo: face/polegar grandes; perna medial), 6 pré-motora/SMA, 3-1-2 sensitiva primária, Broca (44/45, frontal inferior dominante — afasia motora, compreensão preservada), Wernicke (22, temporal superior — afasia sensitiva, fala fluente sem sentido), 17 visual, 41 auditiva.
- Límbico: hipocampo (consolidação de memória declarativa — lesão bilateral = anterógrada), amígdala (medo/emocional), giro do cíngulo, fórnix.
- Sono: NREM (N1–N3; N3 ondas delta, reparador; sonambulismo) e REM (atonia muscular por inibição, sonhos vívidos, ativação pontina; proporção maior em lactentes). Circadiano: SCN + melatonina; homeostático: adenosina.
K. LCR, BHE e vascularização
Fluxo do LCR: plexos coroides (ventrículos laterais) → forames de Monro → III ventrículo → aqueduto de Sylvius → IV ventrículo → forames de Luschka (laterais) e Magendie (medial) → espaço subaracnoide → granulações aracnoideas → seio sagital superior. Obstrução → hidrocefalia (não comunicante se dentro do sistema ventricular; comunicante se na reabsorção). Produção ~500 mL/dia, volume ~150 mL.
BHE: endotélio com tight junctions + pericitos + pés astrocitários; áreas sem BHE: órgãos circunventriculares (área postrema/êmese, neuro-hipófise, órgão subfornical).
Vascularização: carótidas internas (ACA, ACM) + vertebrais → basilar (ACP via posterior). Polígono de Willis conecta. Territórios: ACA = face medial (perna/pé no homúnculo); ACM = face lateral (face e membro superior + Broca/Wernicke) — AVC mais frequente; ACP = occipital (hemianopsia homônima contralateral com preservação macular).
L. Vias longas — onde cruzam (esquema em português)
M. Como pode ser cobrado
- Metencéfalo = ponte + cerebelo. Placa alar = sensitiva.
- Um oligodendrócito mieliniza vários axônios.
- Corno anterior = neurônios do controle voluntário da musculatura esquelética.
- Corpúsculo/terminação: Ruffini = encapsulado, fusiforme, adaptação lenta, estiramento (pele profunda, ligamentos).
- LCR: plexo coroide (ependima + capilares); hidrocefalia por obstrução.
- Recaptação: tricíclicos/SSRIs.
- Somação espacial/temporal = integração sináptica.
N. Revisão ativa
O. Checklist do capítulo
Capítulo 6 — Órgãos dos Sentidos6 questões · olho, ouvido, paladar e receptores cutâneos
A. Olho — anatomia e túnicas

- Córnea: avascular, epitélio estratificado não queratinizado, estroma com colágeno regular (transparência), endotélio com bombas; principal lente refrativa (~2/3 do poder).
- Úvea: coroide (vascular, nutre retina externa), corpo ciliar (processos ciliares produzem humor aquoso; músculo ciliar faz acomodação), íris (músculo dilatador = simpático α1; esfíncter = parassimpático M3).
- Humor aquoso: processos ciliares → câmara posterior → pupila → câmara anterior → malha trabecular → canal de Schlemm. Obstrução → glaucoma (ângulo aberto crônico; fechado = crise dolorosa).
- Canal óptico (asa menor do esfenoide): transmitem nervo óptico (II) e artéria oftálmica. Fissura orbitária superior: III, IV, V1, VI.
B. Retina e fototransdução

Fototransdução (o ponto mais cobrado): no escuro, o fotorreceptor está DESPOLARIZADO: cGMP alto mantém canais de Na⁺/Ca²⁺ abertos (corrente escura) e há liberação contínua de glutamato. Com luz: fóton isomeriza o 11-cis-retinal → ativa rodopsina → transducina (G) → fosfodiesterase → ↓cGMP → fecham-se os canais de cátions → o fotorreceptor HIPERPOLARIZA → REDUZ a liberação de glutamato → as bipolares (ON/OFF) mudam de atividade → ganglionares disparam potenciais de ação (única célula da retina que gera PA).
Bastonetes: alta sensibilidade, visão noturna/acromática, periferia. Cones: acuidade e cores (S/M/L), concentrados na fóvea (sem vasos e sem camadas internas sobrepostas = máxima acuidade).
C. Via óptica e lesões

Acomodação: para perto: músculo ciliar contrai (parassimpático III) → zônula relaxa → cristalino fica mais convexo (+ convergência + miose = tríade de perto). Com a idade, presbiopia (perda de elasticidade do cristalino).
Reflexo fotomotor: aferente = II (retina→pretectal); eferente = III (Edinger-Westphal→esfíncter da pupila). Direto e consensual; defeito aferente relativo = pupila de Marcus Gunn.
D. Ouvido

- Cóclea — rampas: vestibular (perilinfa) e timpânica (perilinfa, comunica-se na helicotrema) separadas pela rampa média/ducto coclear (ENDOLINFA, rica em K⁺, potencial endolinfático +80 mV). Membrana de Reissner separa vestibular da média (barreira endolinfa×perilinfa); membrana basilar separa média da timpânica e sustenta o órgão de Corti.
- Órgão de Corti: células de sustentação + células ciliadas receptoras secundárias (internas = aferência principal; externas = amplificação coclear) cujos estereocílios tocam a membrana tectória; a deflexão abre canais de K⁺ mecânicos (pela endolinfa) → despolariza → libera glutamato → nervo coclear. É o transdutor mecânico-elétrico da audição.
- Tonotopia: base da basilar = rígida e estreita = frequências ALTAS; ápice = larga e flexível = frequências BAIXAS.
- Vestibular: canais semicirculares (cristas ampulares com cúpula) = aceleração angular; utrículo e sáculo (máculas com otólitos) = aceleração linear e gravidade. VOR = reflexo vestíbulo-ocular (estabiliza a imagem).

E. Paladar e receptores cutâneos
- Botão gustativo (corpo gustatório): células receptoras, de sustentação e basais, em papilas (fungiformes, foliadas, circunvaladas). Inervação: VII (2/3 anteriores), IX (1/3 posterior), X (epiglote). Sabores: doce, salgado, azedo, amargo, umami.
| Receptor | Tipo/adaptação | Estímulo | Local |
|---|---|---|---|
| Meissner | Encapsulado, rápida | Tato fino, vibração de baixa frequência | Pele glabra (polpas digitais) |
| Pacini (Paciniano) | Encapsulado em "cebola", rapidíssima | Vibração de alta frequência, pressão profunda | Derme profunda, hipoderme |
| Merkel (discos) | Não encapsulado, lenta | Pressão sustentada, textura | Camada basal epidérmica |
| Ruffini | Encapsulado fusiforme, lenta | Estiramento da pele e articulações | Derme profunda, tendões, ligamentos |
| Terminações livres | — | Dor e temperatura | Todo o corpo |
| Golgi (tendinoso) | Encapsulado | Tensão muscular | Tendões |
F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist
Capítulo 7 — Aparelho Locomotor6 questões · osso, cartilagem, articulações, músculo e anatomia aplicada
A. Tecido ósseo
- Osteoblasto: sintetiza matriz orgânica (colágeno I, proteoglicanos = osteoide) e controla mineralização; fica na superfície. Osteócito: osteoblasto aprisionado em lacuna — célula madura que mantém a matriz mineralizada e mecanossensa (rede de canalículos). Osteoclasto: origem monócito/macrófago, multivacuolado, borda em escova, reabsorve osso (HCl + catepsina K) nas lacunas de Howship.
- Matriz: orgânica (colágeno I = resistência à tração) + inorgânica (hidroxiapatita = resistência à compressão).
- Osso compacto — osteônio (sistema de Havers): canal central (vasos/nervos) + lamelas concêntricas + lacunas com osteócitos + canalículos; canais de Volkmann conectam osteônios entre si e ao periósteo. Osso esponjoso = trabéculas.

B. Ossificação e crescimento
- Intramembranosa: mesênquima → osteoblastos diretamente (ossos planos do crânio, clavícula); sem molde cartilaginoso.
- Endocondral: molde de cartilagem hialina → hipertrofia de condrócitos, calcificação, invasão vascular (centro primário na diáfise; secundários nas epífises); resta a placa epifisária com zonas: repouso → proliferação → hipertrofia → calcificação → ossificação. Fechamento da placa = fim do crescimento longitudinal.
- Remodelamento: osteoblasto expressa RANKL → liga RANK no precursor de osteoclasto → diferenciação/ativação; OPG é o receptor-isca que bloqueia RANKL (freio). Estrogênio ↑OPG (por isso menopausa → osteoporose); PTH intermitente anabólico, contínuo catabólico.
C. Cartilagens

| Tipo | Fibras | Pericôndrio | Locais |
|---|---|---|---|
| Hialina | Colágeno II (invisível ao MO) | Sim (exceto articular) | Articulações, costelas, nariz, traqueia, brônquios, esqueleto fetal, placa epifisária |
| Elástica | Colágeno II + elastina | Sim | Pavilhão auricular, epiglote, tuba auditiva |
| Fibrocartilagem | Colágeno I denso | Não | Discos intervertebrais (ânulo fibroso), meniscos, sínfise pubiana, inserções tendíneas |
D. Articulações, ligamentos e tendões
- Sinovial: cápsula fibrosa + membrana sinovial (produz líquido sinovial = ultrafiltrado + hialuronato, lubrifica e nutre a cartilagem avascular) + cartilagem hialina articular + ligamentos + bolsas.
- Ligamento = osso-osso (colágeno I denso, fibroblastos); tendão = músculo-osso, com junção miotendínea; ambos pouco vascularizados → cicatrização lenta.
- Coluna: flexão aumenta a cifose torácica e reduz (retifica) a lordose lombar — em questão de "qual curva aumenta", a resposta é a cifose torácica.
E. Músculo esquelético e contração

Acoplamento excitação-contração: PA na placa motora → propaga pelo sarcolema e túbulos T → sensor DHP (canal de Ca²⁺ da membrana do T) abre mecanicamente o receptor RyR do retículo sarcoplasmático → liberação de Ca²⁺ → Ca²⁺ liga troponina C → tropomiosina desloca-se e expõe sítios da actina → pontes cruzadas de miosina (com ATP hidrolisado) fazem o power stroke → deslizamento → nova ATP liga e solta a cabeça. Relaxamento: Ca²⁺ bombeado de volta pela SERCA. Rigor mortis: sem ATP, as pontes não se soltam.
Ciclo das pontes cruzadas: (1) ATP hidrolisa → cabeça armada; (2) ligação à actina; (3) power stroke (libera ADP+Pi); (4) novo ATP → desligamento. Força depende do número de pontes (sobreposição actina-miosina → relação comprimento-tensão) e da frequência de estimulação (somação/tétano).
Junção neuromuscular: terminal motor libera ACh → receptores nicotínicos (canal de Na⁺/K⁺) → potencial de placa motora (sempre supra-limiar) → PA muscular. AChE degrada. Bloqueadores: curare (competitivo), succinilcolina (despolarizante); miastenia = anticorpos anti-receptor.
Unidade motora: 1 motoneurônio α + fibras inervadas; princípio do tamanho (recruta primeiro as pequenas/lentas tipo I). Fuso = comprimento/velocidade (Ia, II); Golgi = tensão (Ib).
F. Anatomia aplicada (o que a prova cobra)
| Estrutura | Função/teste | Nervo/lesão clássica |
|---|---|---|
| Manguito rotador: supraespinal, infraespinal, redondo menor, subescapular | Supraespinal inicia abdução (0–15°); infraespinal e redondo menor = rotação externa (teste com braço 90° abduzido e cotovelo 90°); subescapular = rotação interna | Supraespinal = tendinopatia/ruptura mais comum |
| Nervo axilar | Deltóide (abdução 15–90°) + sensibilidade "insígnia" | Fratura do colo cirúrgico do úmero, luxação glenoumeral |
| Nervo radial | Extensão de punho/dedos | Sulco espiral do úmero → "mão caída" |
| Nervo mediano | Flexores do antebraço, tenares, sensibilidade polpa 1º–3º dedos | Fratura supracondiliana, túnel do carpo → "mão de bênção"/atrofia tenar |
| Nervo ulnar | Intrínsecos da mão, interósseos | Epicôndilo medial → "mão em garra", sinal de Froment |
| Triângulo femoral | Limites: ligamento inguinal (superior), sartório (lateral), adutor longo (medial). Conteúdo lateral→medial: NAVeL (nervo femoral, artéria femoral, veia femoral, linfáticos) | Acesso para punção/cateterismo; hérnia femoral |
| Nervo femoral / obturatório | Quadríceps (extensão do joelho) / adutores | Femoral: pelve/coxa anterior; obturatório: face medial da coxa |
| Nervo ciático | Isquiotibiais + todos os músculos abaixo do joelho | Passa pelo forame isquiático maior, em geral inferior ao piriforme (referência anatômica); injeção glútea no quadrante superolateral |
| Nervo fibular comum | Compartimentos anterior/lateral da perna | Colo da fíbula → "pé caído" (equino) |
| Joelho: LCA, LCP, meniscos | LCA impede translação anterior da tíbia (gaveta anterior); LCP, posterior; menisco medial menos móvel (mais lesionado); tríade infeliz = LCA + colateral medial + menisco medial | — |
| Compartimentos extensores do punho | 5º compartimento = extensor do quinto dedo; 1º = abdutor longo + extensor curto do polegar (De Quervain) | — |
G. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist
Capítulo 8 — Cuidados de Enfermagem4 questões · biossegurança, procedimentos, cálculos e pós-operatório
A. Biossegurança e precauções
- Higiene de mãos: a medida isolada mais eficaz contra IRAS. Momentos: antes de contato com o paciente; antes de procedimento asséptico; após exposição a fluidos; após contato com o paciente; após contato com áreas ao redor. Água e sabão se visivelmente sujas ou C. difficile; álcool 70% nas demais.
- Precauções padrão: para TODOS (luvas, avental, máscara, óculos conforme risco de respingo; manuseio de perfurocortantes: não reencapar agulhas, descartar em coletor rígido até 2/3 — NR-32).
| Precaução | Transmissão | EPI/medidas | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Contato | Contato direto/indireto | Luvas + avental; paciente cohorte | MRSA, VRE, C. difficile, escabiose |
| Gotículas | Partículas >5 µm, curta distância (<1 m) | Máscara cirúrgica ao entrar | Influenza, meningite meningocócica, caxumba, rubéola |
| Aerossóis | Partículas <5 µm, suspensas | N95/PFF2, quarto com pressão negativa | Tuberculose, sarampo, varicela |
B. Antissepsia × desinfecção × esterilização
| Processo | Onde | O que elimina | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Antissepsia | Tecido vivo | Reduz microbiota (não esporos) | Álcool 70%, clorexidina, PVPI |
| Desinfecção (níveis baixo/médio/alto) | Superfícies/artigos | Baixo: bactérias vegetativas; médio: + tuberculose/vírus; alto: tudo exceto esporos em nº elevado | Álcool, hipoclorito, glutaraldeído (alto) |
| Esterilização | Artigos críticos | Todas as formas de vida, inclusive esporos | Autoclave (121 °C, 15–20 min), óxido de etileno, plasma de H₂O₂ |
C. Sinais vitais — técnica e erros
- PA: manguito cobrindo 80% da circunferência do braço (manguito pequeno SUPERESTIMA; grande subestima); braço apoiado ao nível do coração; 5 min de repouso; pernas descruzadas; não conversar; esvaziar 2–3 mmHg/s. Valores de referência: <120/80; HAS ≥140/90 (consultório).
- FC (60–100 bpm), FR (12–20 irpm, contar sem que o paciente perceba), Tax (axilar 36–37 °C), SpO₂ (≥95%; esmalte escuro, má perfusão e movimento falseiam).
D. Sondagem vesical (cateterismo urinário)
- Alívio (intermitente): retenção urinária, esvaziamento pré/pós-procedimento, coleta estéril. Demora (SVD): obstrução, monitorização de débito em crítico, cirurgias prolongadas/pélvicas, lesão por pressão com incontinência — sempre com indicação e retirada o mais precoce possível.
- Técnica asséptica: antissepsia da meato, campos estéreis, lubrificação anestésica, insuflar balão somente após retorno de urina, fixar sem tensão.
- Sistema fechado de drenagem: bolsa abaixo do nível da bexiga, sem tocar o chão, não desconectar, não irrigar rotineiramente, higiene do meato diária. A ITU associada a cateter cresce com o tempo de cateterização — principal fator de risco.
E. Oxigenoterapia e aspiração traqueal
| Dispositivo | Fluxo | FiO₂ aprox. | Quando preferir |
|---|---|---|---|
| Cateter nasal (cânula) | 1–6 L/min | 24–44% | Baixa concentração, conforto, DPOC estável |
| Máscara simples | 5–10 L/min | 40–60% | Concentração média; fluxos <5 L acumulam CO₂ |
| Máscara de Venturi | Conforme cor do bico | 24–60% FIXA e precisa | Retentores de CO₂/DPOC — FiO₂ exata independente do padrão respiratório |
| Máscara com reservatório | 10–15 L/min | 60–90% | Emergências, hipoxemia grave |
Aspiração traqueal: indicada por sinais (ruídos adventícios, secreção visível, dessaturação, ↑pressão inspiratória na VM) — NÃO por horário fixo. Técnica: pré-oxigenar, cateter estéril do calibre adequado, introduzir SEM sucção, aspirar em retirada com rotação por ≤10–15 s, no máximo 2–3 passadas, monitorar FC/SpO₂. Riscos: hipoxemia, arritmias, trauma de mucosa, broncoespasmo, infecção. Em paciente com máscara de Venturi e secreção: interromper brevemente, aspirar com técnica estéril e retomar o O₂ imediatamente.
F. Venopunção e administração segura de medicamentos
- Punção venosa: garrote <1 min, escolha de veia distal→proximal para punções sucessivas, ângulo ~15–30°, confirmar refluxo, fixar e datar; observar sinais de flebite (dor, rubor, cordão) e extravasamento.
- Certos da administração: paciente certo, medicamento certo, dose certa, via certa, horário certo, validade/registro certos, ação/efeito certos (e checagem dupla para medicamentos de alta vigilância: insulina, heparina, opióides, KCl concentrado — este NUNCA em bolus).
- Bomba de infusão: programar conforme a prescrição, conferindo velocidade e volume; verificar permeabilidade do acesso, alarmes e monitorização contínua (a bomba não substitui a avaliação); não ajustar por conforto do paciente.
G. Cálculos de medicamentos — exemplos resolvidos
- Regra de três (dose): prescrito 300 mg; apresentação 500 mg/5 mL → x = 300×5/500 = 3 mL.
- Diluição/rediluição: frasco de 1 g (1000 mg) diluído em 10 mL → 100 mg/mL; para 250 mg → 2,5 mL.
- Gotejamento: gotas/min = volume(mL) ÷ tempo(h) ÷ 3 → 500 mL em 8 h = 500/8/3 ≈ 21 gotas/min. Microgotas/min = volume ÷ tempo(h) → 500/8 ≈ 63 microgotas/min.
- Bomba de infusão: mL/h = volume ÷ tempo(h) → 500 mL em 8 h = 62,5 mL/h; 100 mL de antibiótico em 30 min = 200 mL/h.
- Insulina: prescrito 8 UI; seringa de 100 UI/mL com frasco U-100 → 8 UI = 0,08 mL (marcar 8 na seringa de 100).
H. Feridas e cicatrização
- Avaliação: leito (tecido de granulação vermelho vivo = saudável; esfacelo amarelado aderido; necrose preta/escara), bordas, pele perilesional, exsudato (quantidade, tipo, odor), medida, dor.
- Desbridamento: cortante/cirúrgico (rápido, indicado para necrose extensa/infecção), autolítico (curativos úmidos/hidrogel), enzimático, mecânico. Ferida com necrose aderida: desbridar para remover tecido desvitalizado e permitir granulação — não manter curativo seco oclusivo "para não doer", nem suspender trocas.
- Cicatrização: úmida favorece epitelização; controlar infecção, perfusão, glicemia, nutrição (proteína, vitamina C, zinco).
I. Pós-operatório imediato
- A-B-C primeiro: via aérea pérvia, ventilação adequada (expansão, SpO₂), circulação (PA, FC, perfusão, sangramento no dreno/curativo).
- Prevenção pulmonar: exercícios respiratórios, espirômetro de incentivo e tosse assistida (com proteção da incisão); posição de Fowler/semi-Fowler favorece expansão; deambulação precoce conforme protocolo (não "logo ao despertar" sem avaliação).
- Prevenção de TEV: deambulação precoce, hidratação, compressão pneumática/meias, anticoagulação profilática conforme risco.
- Dor: avaliar por escala e tratar de forma programada/multimodal, não apenas "se o paciente pedir"; náuseas/vômitos (PONV) profilaxia; dieta conforme retorno de peristalse/protocolo (não "líquidos precoces para acelerar intestino" como regra universal); sonda/drenos: débito e aspecto.
J. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist
Capítulo 9 — Sistema Hematológico3 questões · hematopoiese, hemostasia, transfusão e TCTH
A. Hematopoiese

- Sítios: saco vitelínico (embrionário) → fígado/baço (fetal) → medula óssea (definitivo, desde o fim da gestação). No início da vida todos os ossos têm medula ativa; com a idade, substituição gordurosa; no adulto, medula ativa no esqueleto axial e extremidades proximais (esterno, crista ilíaca = locais de mielograma). Hematopoiese extramedular patológica retorna a fígado/baço.
- Linhas: CTC → progenitor mieloide (eritrócitos, plaquetas/megacariócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos) e linfoide (B, T, NK).
- Eritropoiese: estimulada pela EPO (produzida por células peritubulares renais em resposta à hipóxia via HIF). Reticulócitos ↑ = resposta medular (hemólise, sangramento tratado); ↓ = falha de produção.
B. Hemograma — índices
| Parâmetro | Significado | Uso |
|---|---|---|
| Hb / Ht | Massa de hemoglobina / fração volumétrica de hemácias | Anemia: Hb <13 (H) / <12 (M) |
| VCM | Volume médio (Ht/RBC) | <80 microcitose (ferropriva, talassemia); >100 macrocitose (B12/folato) |
| HCM / CHCM | Conteúdo/concentração de Hb por hemácia | Hipocromia na ferropriva |
| RDW | Anisocitose (variação de tamanho) | ↑ precoce na ferropriva; normal na talassemia trait |
| Leucograma / plaquetas | Séries branca e plaquetária | Desvio à esquerda = formas jovens (infecção bacteriana) |
C. Leucócitos e plaquetas — funções
- Neutrófilo: fagocitose, burst oxidativo, MPO; 1ª linha contra bactérias. Eosinófilo: parasitos helmintos e alergia (proteína básica maior). Basófilo/mastócito: histamina, heparina (hipersensibilidade imediata). Monócito→macrófago: fagocitose tardia, apresentação de antígeno. Linfócitos: B (anticorpos), T (celular), NK (virais/tumorais).
- Plaquetas: fragmentos de megacariócitos (TPO), 150–450 mil/mm³, vida 7–10 dias, ~1/3 sequestradas no baço; grânulos alfa (fibrinogênio, vWF, fator de crescimento) e densos (ADP, Ca²⁺, serotonina).
D. Hemostasia
Primária (tampão plaquetário): lesão → adesão via vWF–GPIb; ativação (trombina, colágeno, TXA₂, ADP) com mudança de forma e secreção; agregação por GPIIb/IIIa–fibrinogênio ligando plaquetas entre si. Vasoconstrição reflexa inicial.
Secundária (coagulação): via extrínseca (FT + VII) e intrínseca (XII, XI, IX, VIII) convergem no X → protrombinase (Xa + Va) → trombina (IIa) → cliva fibrinogênio em fibrina + ativa fator XIII (cross-linking) e plaquetas (amplificação). Vitamina K: fatores II, VII, IX, X (e proteínas C e S).
| Teste | Avalia | Prolonga em |
|---|---|---|
| TP / INR | Via extrínseca/comum (VII, X, V, II, fibrinogênio) | Varfarina, deficiência de vit. K, hepatopatia, CID |
| TTPa | Via intrínseca/comum (XII, XI, IX, VIII…) | Heparina, hemofilias A/B, inibidores |
| D-dímero | Produtos de degradação da fibrina | ↑ em trombose/CID (alto VPN negativo) |
Fibrinólise: plasminogênio → plasmina (via tPA) → degrada fibrina → D-dímeros; regulada por PAI-1 e α2-antiplasmina.
E. Hemocomponentes, ABO/Rh e reações
- Concentrado de hemácias: anemia sintomática/perda aguda (estratégia restritiva: gatilho ~7 g/dL em estáveis). Plasma: correção de coagulopatias/sangramento com múltiplos fatores (reversão de varfarina com sangramento). Plaquetas: plaquetopenia por falência medular e disfunções; na PTI (destruição periférica imune) a transfusão é restrita a sangramentos graves com risco de vida; limiares: >50 mil para cirurgia geral, >100 mil para neuro/oftalmo.
- ABO: A tem antígeno A e anti-B; B o inverso; AB sem anticorpos (receptor universal de hemácias? não — receptor universal de plasma é AB; O é doador universal de hemácias); RhD: mãe Rh− com feto Rh+ → risco de doença hemolítica do recém-nascido; prevenção com imunoglobulina anti-D.
- Reações: hemolítica aguda (incompatibilidade ABO: febre, calafrios, dor lombar, hemoglobinúria, CID — parar a transfusão!); febril não hemolítica (citocinas); alérgica (urticária); TRALI (edema pulmonar não cardiogênico por anticorpos do doador); TACO (sobrecarga volêmica); séptica (plaquetas contaminadas).
- TCTH: autólogo (próprias células; sem DECH; risco de recaída) × alogênico (doador; efeito enxerto-versus-tumor; risco de DECH e rejeição). Compatibilidade HLA: irmãos têm 25% de chance de serem idênticos (cada filho herda um haplótipo de cada pai); filhos são sempre haploidênticos com os pais. Doadores estimulados com G-CSF para mobilizar PBSCs. Enxertia em ~2–4 semanas.

F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist
Capítulo 10 — Sistema Tegumentar3 questões · pele, anexos, termorregulação e ciclo capilar
A. Estrutura e estratos


- Epiderme (epitélio estratificado pavimentoso queratinizado): basal (mitose, queratinas K5/K14, hemidesmossomos), espinhoso (queratinas K1/K10, desmossomos = "espinhos"), granuloso (grânulos de querato-hialina/filagrina e corpos lamelares que liberam lipídios), lúcido (só pele espessa), córneo (corneócitos anucleados + lipídios = barreira "tijolo e cimento").
- Barreira: filagrina agrega queratina e origina o fator de hidratação natural; mutação de filagrina → ictiose/atopia. Corpos lamelares = lipídios intercelulares.
- Derme: papilar (frouxa, papilas, corpúsculos de Meissner) e reticular (densa não modelada, colágeno I, Pacini, anexos). Hipoderme: adiposa, isolante e coxim (não é epiderme/derme).
B. Células especiais
- Melanócito: origem na crista neural, camada basal; tirosinase converte tirosina em melanina dentro do melanossomo, transferido aos queratinócitos (capuz supranuclear); UV ↑ produção e escurecimento. Número semelhante entre etnias — o que muda é quantidade/tamanho/distribuição dos melanossomos.
- Célula de Langerhans: APC da epiderme (CD1a, grânulos de Birbeck), migra para linfonodo.
- Célula de Merkel: mecanorreceptor de adaptação lenta (disco de Merkel), origem epidérmica.
C. Glândulas — tabela comparativa
| Écrina | Apócrina | Sebácea | |
|---|---|---|---|
| Local | Toda a pele (palmas/plantas abundantes) | Axilas, aréolas, perineo | Anexa ao folículo (face, couro cabeludo); ausente em palmas/plantas |
| Desembocadura | Direto na superfície | No folículo piloso | No folículo piloso (unidade pilossebácea) |
| Mecanismo | Merócrina (exocitose) | Apócrina (porção apical) | Holócrina (célula se rompe e é eliminada com o sebo) |
| Secreção/função | Sudorese aquosa — termorregulação | Viscosa, odor após ação bacteriana; ativa na puberdade | Sebo lipídico — lubrificação e barreira |
| Controle | Simpático colinérgico (ACh) | Simpático adrenérgico + hormonal | Andrógenos (não nervoso) |
D. Termorregulação
- Perda de calor: radiação (principal em repouso, ~60%), condução (contato direto; pequena fração, mas grande na água), convecção (ar em movimento — aumenta com vento, não diminui), evaporação (sudorese + perda insensível; torna-se principal quando a temperatura ambiente excede a corporal).
- Controle: hipotálamo anterior; simpático: vasodilatação cutânea (perda) × vasoconstrição (conservação); sudorese colinérgica; piloereção e tremor (produção). Gordura subcutânea = isolante (condução reduzida).
E. Folículo piloso e ciclo capilar
- Anágena: crescimento, alta atividade mitótica da matriz; no couro cabeludo dura 2–6 anos (~85–90% dos fios). Catágena: regressão/apoptose, semanas (~1%). Telógena: repouso e queda (~10–15%), 2–4 meses. Eflúvio telógeno = queda difusa após estresse/doença; alopecia androgenética = encurtamento da anágena com miniaturização.
- Unidade pilossebácea: folículo + sebácea + eretor do pelo (simpático adrenérgico → "pele arrepiada").
F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist
Capítulo 11 — Suporte Básico de Vida2 questões · parada cardiorrespiratória e OVACE no adulto
A. Cadeia de sobrevivência e reconhecimento
- Sequência do leigo/profissional: garantir segurança da cena → verificar responsividade (chamar + estimular pelos ombros) → se não responde: gritar por ajuda, pedir para chamar o SAMU (192) e trazer o DEA (designar pessoa nominalmente) → verificar respiração (<10 s): ausência ou gasping (respiração agônica) = parada → iniciar compressões.
- Pulso: profissional pode checar carótida por até 10 s; na dúvida, comprima. Leigo não checa pulso.
- Gasping NÃO é respiração eficaz — trata-se como parada.
B. RCP de alta qualidade no adulto
| Parâmetro | Adulto | Criança | Lactente |
|---|---|---|---|
| Frequência | 100–120/min | ||
| Profundidade | 5–6 cm | ~5 cm (1/3 do tórax) | ~4 cm (1/3 do tórax) |
| Compressões:ventilações | 30:2 | 30:2 (1 socorrista) / 15:2 (2) | 30:2 / 15:2 |
| Técnica | 2 mãos, centro do tórax | 1 ou 2 mãos | 2 dedos ou 2 polegares abraçando |
- Permitir retorno torácico completo (não apoiar o peso); minimizar interrupções (fração de compressão torácica >60%); trocar o compressor a cada 2 min; ventilações de 1 s com expansão visível, sem hiperventilar.
- DEA: ligar assim que chegar, aderir pás/pás adesivas, analisar ritmo com ninguém tocando, chocar se indicado e retomar compressões imediatamente por 2 min até nova análise.
- Ritmos chocáveis: FV e TV sem pulso (desfibrilação é o tratamento). Não chocáveis: assistoia e AESP/PEA (tratar causa reversível — 5H5T: hipovolemia, hipóxia, hidrogênio (acidose), hipo/hipercalemia, hipotermia; tensão (pneumotórax), tamponamento, toxinas, trombose coronária, tromboembolia pulmonar).
- Soco precordial: não é rotina; considerado apenas em TV sem pulso testemunhada e monitorizada sem desfibrilador imediato.
C. OVACE (obstrução de vias aéreas por corpo estranho)
- Tosse eficaz (fala/chora, tosse forte): incentivar a tosse, não interferir, monitorar.
- Obstrução grave (sinal universal das mãos no pescoço, não fala, tosse silenciosa, cianose): adulto/criança >1 ano consciente = 5 golpes interescapulares com a base da mão + 5 compressões abdominais (Heimlich, direção póstero-anterior e cranial), alternando até resolver ou perder a consciência.
- Gestante ou obeso: compressões torácicas em vez de abdominais. Lactente <1 ano: 5 tapotagens + 5 compressões torácicas (nunca abdominal).
- Perda de consciência: deitar a vítima, iniciar RCP começando por compressões; antes das ventilações, abrir a boca e remover o objeto apenas se visível e facilmente acessível; NUNCA fazer varredura digital cega (empurra o objeto).
- Após desobstruir vítima inconsciente que recupera respiração: posição lateral de recuperação enquanto aguarda o SAMU.