Guia de uso e arquitetura da provaEdital vigente = define O QUE estudar · Prova anterior = define PROFUNDIDADE e ESTILO

Esta apostila cobre exclusivamente os módulos do Anexo II do Edital nº 66/2026 que você selecionou. Cada capítulo segue a sequência pedagógica conceito → fundamento → mecanismo → estrutura → função → integração → aplicação → diferenciação → pegadinhas, com figuras legendadas ("o que observar"), tabelas comparativas, quadros de alerta, revisão ativa e checklist com progresso salvo neste próprio arquivo.

Módulo (peso na prova anterior – FMHO2502)QuestõesFaixa de questõesPrioridade de estudo
Módulo: A Célula1424–37MÁXIMA
Módulo: Sistema Nervoso1268–79MÁXIMA
Módulo: Sistema Circulatório860–67ALTA
Módulo: Sistema Respiratório780–86ALTA
Método e Raciocínio Científico I618–23ALTA
Órgãos dos Sentidos647–52MÉDIA-ALTA
Módulo: Aparelho Locomotor638–43MÉDIA-ALTA
Cuidados de Enfermagem46–9MÉDIA
Módulo Hematológico344–46MÉDIA
Módulo Tegumentar389–91MÉDIA
Suporte Básico de Vida287–88MÉDIA (pontua fácil)
Muito importanteEstilo da banca (Vunesp/FMB): alternativas longas e conceituais, muitas vezes trocando uma palavra que inverte o sentido (ex.: "pró-apoptótico" por "anti-apoptótico"); integração anatomia+histologia+fisiologia+embriologia na mesma questão; e armadilhas do tipo "somente", "apenas", "independentemente". Leia TODAS as alternativas antes de marcar.
Como pode cairDesempate do edital: maior nº de acertos em A Célula → Sistema Nervoso → Saúde e Sociedade → Sistema Circulatório. Isso reforça que Citologia e Neuro valem ouro além do peso bruto.

Capítulo 1 — A Célula / Citologia14 questões na prova anterior · o capítulo mais denso da apostila

A. Visão geral

A espinha dorsal do módulo é: (1) membrana = barreira anfipática seletiva com transportes passivos e ativos; (2) sistema de endomembranas = linha de montagem e tráfego de proteínas; (3) mitocôndria = conversão de energia em ATP por quimiosmose; (4) citoesqueleto = forma, transporte intracelular e divisão; (5) ciclo celular + morte celular = controle de qualidade. Quase toda questão do módulo mistura um desses eixos com uma "casca" clínica ou experimental.

B. Membrana plasmática

Conceito: bicamada fosfolipídica com proteínas, colesterol e glicocálix, que separa o meio intracelular do extracelular e regula trocas.
Fundamento químico: cada fosfolipídio é anfipático: cabeça polar (fosfato + álcool, hidrofílica) e duas caudas de ácidos graxos (hidrofóbicas). Em água, a termodinâmica favorece arranjos que escondem as caudas: bicamada, micela, lipossomo. Moléculas anfipáticas típicas de prova: fosfolipídios, colesterol, ácidos biliares, ácidos graxos — e NÃO moléculas totalmente polares (glicose, aminoácidos) nem totalmente apolares (triacilgliceróis, esteroides puros).

Colesterol: modulador de fluidez ("tampão"): em temperatura alta restringe o movimento das caudas (reduz fluidez); em temperatura baixa impede o empacotamento cristalino (aumenta fluidez). Também reduz permeabilidade a pequenas moléculas polares.

Proteínas: integrais/transmembrana (atravessam a bicamada; funções: canais, carreadores, bombas, receptores); periféricas (ligadas à superfície, frequentemente ao citoesqueleto ou a cabeças lipídicas). Glicocálix: carboidratos ligados a proteínas (glicoproteínas) e lipídios (glicolipídios) na face externa: reconhecimento celular, proteção, barreira de carga, determinantes ABO.

Fluidez e movimento: difusão lateral (rápida), rotação, flexão de caudas e flip-flop (raro, espontaneamente). Enzimas: scramblases (RE, redistribuem fosfolipídios de forma não seletiva entre as monocamadas) e flippases (membrana plasmática, seletivas, gastam ATP, mantêm assimetria — ex.: fosfatidilserina só no folheto interno; sua externalização é sinal de apoptose).

Permeabilidade seletiva (ordem decrescente de passagem): gases (O₂, CO₂) e moléculas pequenas apolares > moléculas polares pequenas sem carga (água, urea, etanol) > íons e moléculas polares grandes (glicose, aminoácidos) — estes exigem proteínas.

C. Transportes de membrana

MecanismoProteína?Energia?SentidoExemplos clássicos
Difusão simplesNãoNão (a favor do gradiente)↓ gradienteO₂, CO₂, NO, etanol, esteroides
Difusão facilitada por canalSim (canal)Não↓ gradienteCanais de K⁺, Na⁺, Cl⁻; aquaporinas
Difusão facilitada por carreadorSim (transportador)Não↓ gradienteGLUT1–4 (glicose), ureia
Transporte ativo primárioSim (bomba)ATP direto↑ gradienteNa⁺/K⁺-ATPase, Ca²⁺-ATPase, H⁺/K⁺-ATPase
Transporte ativo secundárioSimGradiente de Na⁺ (criado pela bomba)Um ↑, outro ↓SGLT1 (simporte Na⁺/glicose), trocador Na⁺/Ca²⁺, Na⁺/H⁺

Simporte (cotransporte): as duas espécies entram no mesmo sentido (SGLT1 no intestino: Na⁺ desce o gradiente e "puxa" glicose contra o gradiente). Antiporte (contratransporte): sentidos opostos (NCX — 3Na⁺ entram, 1Ca²⁺ sai).

Na⁺/K⁺-ATPase: 3Na⁺ para fora, 2K⁺ para dentro, 1ATP por ciclo; é eletrogênica (contribui com −4 a −8 mV); mantém os gradientes que sustentam o potencial de membrana, o volume celular e todo transporte secundário. Inibida por ouabaína/digoxina.

Osmose e tonicidade: água atravessa (aquaporinas/lipídios) do meio hipotônico (menos soluto) para o hipertônico. Osmolaridade = concentração de partículas; tonicidade = efeito real sobre o volume celular (depende de solutos que NÃO atravessam a membrana). Solução isotônica ≈ 300 mOsm/L (SF 0,9%). Hemácia em hipotônico → hemólise; em hipertônico → crenação.

D. Potencial de membrana

Mecanismo: a bomba cria gradientes (Na⁺ alto fora, K⁺ alto dentro), mas o potencial de repouso (≈ −70 mV) resulta sobretudo da alta permeabilidade da membrana ao K⁺ em repouso (canais de fuga): K⁺ sai a favor do gradiente químico, deixa ânions intracelulares para trás e cria gradiente elétrico contrário; o equilíbrio entre as duas forças é o potencial de equilíbrio do K⁺ (equação de Nernst, ≈ −90 mV). Como há pequena permeabilidade ao Na⁺, o potencial real fica entre E_K e E_Na, descrito pela equação de Goldman — por isso ≈ −70 mV. A bomba contribui diretamente com poucos mV, mas é indispensável por manter os gradientes.

Não confundaPotencial de repouso ≠ potencial de equilíbrio do K⁺. O repouso é dominado pelo K⁺, mas não igual a E_K porque existe permeabilidade residual ao Na⁺ (e a bomba eletrogênica soma alguns mV).

E. Sistema de endomembranas e tráfego de proteínas

RER: ribossomos aderidos; síntese de proteínas secretadas, de membrana e lisossômicas; controle de qualidade (chaperonas, p. ex. BiP); glicosilação inicial (N-glicosilação); dobra e formação de pontes dissulfeto.
REL: sem ribossomos; síntese de lipídios e fosfolipídios, metabolismo do glicogênio (glicose-6-fosfatase), detoxificação (citocromo P450 — abundante em hepatócitos), estoque de Ca²⁺ (retículo sarcoplasmático no músculo).

Trajetória completa de uma proteína secretada (ex.: insulina, colágeno): (1) ribossomo livre inicia a tradução; (2) o peptídeo-sinal emerge e é reconhecido pela SRP, que pausa a tradução e ancora o conjunto ao receptor de SRP no RER; (3) a tradução recomeça e o polipeptídio é translocado para o lúmen (ou inserido na membrana, se houver sequência âncora); (4) dobra e glicosilação no RER; (5) vesículas de transição levam ao cis-Golgi; (6) maturação cis→medial→trans com modificações de carboidratos (ex.: manose-6-fosfato para lisossomos); (7) no trans-Golgi ocorre a triagem: vesícula secretora constitutiva, vesícula secretora regulada (grânulo que espera sinal de Ca²⁺) ou endossomo/lisossomo; (8) exocitose por fusão SNARE com a membrana.

Endocitose: fagocitose (partículas grandes, pseudópodes — macrófagos); pinocitose (líquido); endocitose mediada por receptor (clatrina; ex.: captação de LDL). Endossomos: precoce (pH ~6,0) faz a triagem — receptor pode ser reciclado para a membrana (ex.: receptor de LDL) ou enviado para degradação; tardio → lisossomo (pH ~5, hidrolases ácidas) degrada o conteúdo. Função do endossomo em prova: reciclagem de receptores e proteínas transmembrana + rota de degradação.

Peroxissomos: β-oxidação de ácidos graxos de cadeia muito longa; produzem H₂O₂ e o degradam pela catalase; síntese de plasmalogênios (mielina). Doença-reflexo: adrenoleucodistrofia (falha na oxidação de VLCFA).

F. Mitocôndria e bioenergética

Estrutura: membrana externa (porinas, permeável a pequenas moléculas); espaço intermembranas (compartimento dos prótons bombeados); membrana interna (impermeável a íons, cardiolipina, cristas, cadeia respiratória + ATP-sintase); matriz (ciclo de Krebs, β-oxidação, DNA próprio, ribossomos).

Cadeia respiratória (membrana interna): Complexo I (NADH→Q, bombeia H⁺), Complexo II (FADH₂→Q, NÃO bombeia), Q (ubiquinona, móvel), Complexo III (Q→citocromo c, bombeia), citocromo c (móvel, intermembranas), Complexo IV (citocromo c→O₂, bombeia; O₂ é o aceptor final, formando H₂O). O bombeamento cria gradiente eletroquímico de prótons (força próton-motriz) no espaço intermembranas.

ATP-sintase (Complexo V): o retorno dos H⁺ pela subunidade F₀ gira o rotor e a subunidade F₁ fosforila ADP→ATP (fosforilação oxidativa / quimiosmose). Desacopladores (2,4-dinitrofenol, termogenina/UCP1 do tecido adiposo marrom) dissipam o gradiente como calor: consumo de O₂ aumenta, ATP cai. Inibidores: rotenona (I), antimicina A (III), CN⁻/CO (IV), oligomicina (ATP-sintase).

MemorizeNADH ≈ 2,5 ATP (entra no complexo I); FADH₂ ≈ 1,5 ATP (entra no II). Rendimento total da glicose ≈ 30–32 ATP. A fosforilação oxidativa ocorre na membrana mitocondrial interna; o ciclo de Krebs, na matriz.

G. Núcleo

Carioteca: DUAS membranas lipoproteicas contínuas ao RE; espaço perinuclear; funde-se na prófase e reforma-se na telófase. Poros nucleares: complexos proteicos (nucleoporinas) que permitem difusão livre apenas de moléculas pequenas (< ~40–60 kDa); macromoléculas exigem transporte ativo mediado por importinas/exportinas e Ran-GTP (com sinal de localização nuclear). Lâmina nuclear: filamentos intermediários tipo lamina na face interna → suporte mecânico e organização da cromatina (mutações → progeria).

Cromatina: eucromatina = descondensada, transcricionalmente ATIVA; heterocromatina = condensada, inativa (constitutiva: centrômeros/telômeros; facultativa: cromossomo X inativo/corpúsculo de Barr). Nucléolo: não tem membrana; é a fábrica de rRNA e montagem das subunidades ribossômicas; muito proeminente em células com alta síntese proteica.

H. Citoesqueleto

ComponenteDiâmetroSubunidadeFunções-chaveProteínas motoras/associadas
Microfilamentos (actina)~7 nmActina G→FCórtex celular, forma, movimentação, anel contrátil da citocinese, microvilosMiosina (I e II), profilina, filamina
Filamentos intermediários~10 nmQueratina, vimentina, desmina, lamina, neurofilamentosResistência mecânica à tensão; flexíveis; tecido-específicos (marcadores de origem tumoral)Sem motoras; ligam-se a desmossomos/hemidesmossomos
Microtúbulos~25 nmα/β-tubulina (instabilidade dinâmica; + cresce / − no centrossomo)Trilhos de transporte, fuso mitótico, cílios e flagelos (9+2), centríolos (9+0)Cinesina (→ +, periferia) e dineína (→ −, centro; também braços ciliares)

Fuso mitótico: microtúbulos astrais, cinetocóricos (ligam cinetocoros dos cromossomos) e polares/interpolar. Cílios: axonema 9+2 com dineína; defeito → síndrome dos cílios imóveis (Kartagener: bronquiectasias, sinusite, situs inversus, infertilidade). Citocinese animal: anel contrátil de actina + miosina II forma o sulco de clivagem (diferente da planta, que forma placa celular).

I. Ciclo celular, mitose e meiose

Fases: G1 (crescimento, decisão no ponto de restrição R; células podem sair para G0), S (duplicação do DNA e dos centríolos), G2 (preparo para mitose, checagem), M (mitose + citocinese). Complexos CdK/ciclina = o motor do ciclo: ciclina D–Cdk4/6 (G1), ciclina E–Cdk2 (transição G1/S), ciclina A–Cdk2 (S), ciclina B–Cdk1 (entrada em M). Ciclinas são degradadas por ubiquitina-proteassomo; a APC/C ubiquitina a ciclina B e a securina (libera separase → cliva coesinas → anáfase).

Checkpoints: G1/S (dano ao DNA → p53 → p21 inibe Cdk; se irreparável, apoptose); intra-S; G2/M (DNA não replicado/bloqueio de Cdk1); checkpoint do fuso (SAC) na metáfase (cromossomos não alinhados impedem APC/C).

Mitose: prófase (condensação, some nucléolo, inicia fuso), prometafase (quebra do envelope, fuso começa a se formar na prófase/prometafase), metáfase (alinhamento na placa), anáfase (separação das cromátides-irmãs), telófase (descondensação, reformação nuclear).

Meiose: Prófase I (leptóteno, zigóteno = sinapse, paquíteno = crossing-over/permutação, diplóteno = quiasmas visíveis, diacinese) — é aqui que surge o bivalente/tétrade (par de homólogos = 4 cromátides). Metáfase I alinha pares de homólogos; anáfase I separa homólogos (reducional: 2n→n, cromátides ainda juntas); meiose II é equacional (separa cromátides-irmãs). Resultado: 4 células haploides geneticamente diferentes (permutação + segregação independente).

Pegadinha"Bivalente" aparece na prófase I (e persiste até metáfase I) — não na meiose II. E na anáfase I quem migra são homólogos; cromátides-irmãs só na anáfase II (e na anáfase mitótica).

J. Morte celular programada (apoptose)

Via intrínseca (mitocondrial): estresse (dano ao DNA, privação de fatores) ativa proteínas BH3-only → ativam Bax/Bak (PRÓ-apoptóticas), que permeabilizam a membrana mitocondrial externa (MOMP) → liberação de citocromo c → citocromo c + Apaf-1 + pró-caspase-9 formam o apoptossomo (heptâmero) → ativa caspase-9 → caspases efetoras 3/6/7 → clivagem de alvos (DNA fragmentado, blebs, corpos apoptóticos). Bcl-2 e Bcl-xL são ANTI-apoptóticas (sequestram Bax/Bak/BH3).

Via extrínseca: ligantes de morte (FasL, TNF) → receptores de morte (Fas/CD95) → adaptador FADD → caspase-8 → caspases efetoras (e clivagem de Bid conectando à mitocôndria). Caspases existem como zimógenos inativos; a cascata é amplificadora e, na prática, irreversível após o ponto de compromisso.

CaracterísticaApoptoseNecrose
ControleProgramada, ativa, gasta ATPAcidental, passiva
MorfologiaEncolhimento, cromatina condensada, corpos apoptóticos, membrana íntegraInchaço, ruptura de membrana, cariólise
InflamaçãoAusente (fagocitose silenciosa)Presente (conteúdo extravasa)
ContextoDesenvolvimento, homeostase, dano leve ao DNAIsquemia, toxinas, trauma

K. Matriz extracelular e junções

Colágenos: tipo I (osso, pele, tendão — o mais abundante), II (cartilagem, vítreo), III (reticular: pele fetal, vasos, granulação), IV (lâmina basal, rede). Síntese: pró-colágeno no RER (hidroxilação de prolina/lisina depende de vitamina C — escorbuto), clivagem extracelular → tropocolágeno → fibrilas.

Integrinas: receptores transmembrana que ligam MEC (fibronectina, colágeno) ao citoesqueleto (via talina/vinculina → actina) e transmitem sinais bidirecionais (inside-out/outside-in).

JunçãoProteínasCitoesqueletoFunção
Oclusiva (tight/zônula de oclusão)Claudinas, ocludinasActinaVedação paracelular, barreira, polaridade (ex.: BHE, epitélio intestinal)
Adesiva (zônula de adesão)Caderinas (E-caderina), cateninasActinaAdesão lateral em faixa
Desmossomo (mácula de adesão)Desmocolina/desmogleínaFilamentos intermediáriosAdesão pontual resistente à tensão (epiderme; pênfigo = autoanticorpos)
HemidesmossomoIntegrina α6β4, colágeno XVIIFilamentos intermediáriosPrende célula à lâmina basal (penfigoide bolhoso)
Comunicante (gap/nexo)Conexinas (conexon = 6 conexinas)—Passagem de íons/segundos mensageiros; sincronização (miocárdio)

L. Histologia — reconhecimento em lâmina

Músculo esquelético longitudinal e transversal
O que observar: no corte longitudinal, fibras cilíndricas com estriações transversais e núcleos múltiplos achatados na periferia (setas) = músculo esquelético; no transversal, fibras poligonais (MF) com núcleos periféricos e perimísio/endomísio (Pe) envolvendo feixes. Compare com o cardíaco (núcleo central, discos intercalares) e o liso (fuso, núcleo central único, sem estriações).

M. Como pode ser cobrado

N. Revisão ativa

O. Checklist do capítulo

Capítulo 2 — Método e Raciocínio Científico I6 questões · capítulo construído para quem tem dificuldade em epidemiologia

A. Visão geral

Toda questão desse módulo pede três habilidades: (1) identificar o desenho do estudo pela direção da investigação (parte da exposição? do desfecho? de ambos ao mesmo tempo?); (2) saber qual medida cada desenho produz; (3) reconhecer vieses e o significado de p, IC, poder e heterogeneidade.

B. Tipos de estudo — ficha completa

DesenhoParte de…TemporalidadeMedida principalVantagensLimitaçõesExemplo
Transversal (seccional)Exposição e desfecho medidos no mesmo momentoSem seguimento; "fotografia"Prevalência; RP/ORRápido, barato, gera hipótesesNão estabelece temporalidade (causalidade reversa)Inquérito de hipertensão e sal em uma cidade
Coorte prospectivaExposição (sadios no início)Presente → futuroIncidência, RR, risco atribuívelTemporalidade clara; múltiplos desfechos; mede incidênciaCaro, demorado, perdas de seguimentoAcompanhar fumantes × não fumantes por 20 anos para IAM
Coorte retrospectiva (histórica)Exposição registrada no passadoPassado → presente (dados já existentes)Incidência, RRMais rápida/barata que a prospectivaDepende da qualidade dos registrosCoorte de trabalhadores expostos a amianto com fichas de 1990
Caso-controleDesfecho (casos × controles)Olha para trás (exposição pregressa)OR (estima RR se doença rara)Ideal para doenças raras e de longa latência; rápidoVieses de memória/seleção; não mede incidênciaCasos de câncer de pulmão × controles, indagando tabagismo passado
Ensaio clínico randomizadoIntervenção alocada pelo pesquisadorProspectivoRR, RRR, RAR, NNT; eficácia/efetividadeMaior controle de confundimento (randomização); causalidadeÉtico/custo; população selecionadaNova droga × placebo para prevenção secundária
EcológicoDados agregados (populações)VariávelCorrelações populacionaisDados secundários baratosFalácia ecológica: não vale para indivíduosConsumo de açúcar × mortalidade por país
Série de casosDescrição de vários pacientes com o desfechoDescritivoSem medida de associaçãoDescreve doenças novas/rarasSem grupo de comparaçãoRelato de 10 pacientes com nova síndrome
Revisão sistemáticaPergunta estruturada (PICO) + busca reproducibleSecundárioSíntese qualitativaResume toda evidência com método explícitoDepende da qualidade dos primáriosRevisão Cochrane sobre anti-hipertensivos
MetanáliseRevisão sistemática + síntese estatísticaSecundárioEfeito pooled (diamante no forest plot)Maior poder/precisãoHeterogeneidade, viés de publicação, "garbage in"Pool de 12 ECRs de estatina

C. Fluxograma — como descobrir o tipo de estudo

1. O pesquisador interviu/alocou a exposição? → SIM = Ensaio clínico (intervenção).
↓ NÃO
2. Os dados são de populações/grupos, não indivíduos? → SIM = Ecológico.
↓ NÃO
3. É só descrição de casos sem comparação? → SIM = Relato/série de casos.
↓ NÃO
4. Exposição e desfecho medidos juntos, agora? → SIM = Transversal (prevalência).
↓ NÃO
5. O estudo começa pelos doentes (casos) e busca exposição no passado? → SIM = Caso-controle (OR).
↓ NÃO
6. Começa pelos expostos/não expostos sadios e segue no tempo (ou reconstrói registros)? → Coorte (incidência, RR). Prospectiva se segue adiante; retrospectiva se usa registros antigos.
↓
7. O trabalho sintetiza outros estudos com método explícito? → Revisão sistemática; se faz conta combinando efeitos = metanálise.

D. Medidas de frequência

Não confundaMortalidade (denominador = população) × letalidade (denominador = doentes). E incidência (fluxo de casos novos) × prevalência (estoque).

E. Medidas de associação e impacto

F. Testes diagnósticos

Doente (padrão-ouro +)Sadio (padrão-ouro −)
Teste +VPFP
Teste −FNVN

G. Estatística inferencial

MemorizeErro I = "achou diferença que não existe" (α). Erro II = "perdeu diferença que existe" (β). Aumentar amostra reduz principalmente o erro II (aumenta poder).

H. Vieses e confundimento

TipoOnde apareceExemploControle
SeleçãoFormação dos gruposBerkson (hospitalares); voluntários saudáveis; perdas seletivas de seguimentoAmostragem adequada, critérios claros, analisar perdas
Informação/memória (recordação)Coleta de exposição/desfechoCasos lembram exposição melhor que controles (caso-controle)Cegamento do entrevistador, registros objetivos
Aferição/mediçãoInstrumento descalibrado, observador não cegoAvaliador que sabe o grupo classifica melhor o desfechoCegamento, calibração, padronização
Perdas de seguimentoCoortes>20% de perdas diferencialmente distribuídasIntenção de tratar, análise de sensibilidade
Confundimento3ª variável associada à exposição E ao desfecho, fora da cadeia causalCafé × câncer de pulmão confundido por tabagismoRandomização, restrição, pareamento, estratificação, análise multivariada

I. Ensaio clínico — pilares

J. Metanálise e forest plot — leitura visual

Forest plot
O que observar: cada linha = um estudo: o quadrado (tamanho = peso do estudo) é a estimativa do efeito e a linha horizontal é o IC 95%. A linha vertical central é a linha de nulidade (RR/OR = 1): IC que a cruza = estudo não significativo. O losango (diamante) ao final = efeito pooled (combinado); sua largura é o IC do efeito conjunto. Se o diamante não toca a linha de nulidade, o efeito combinado é significativo.

K. Como pode ser cobrado

L. Revisão ativa

M. Checklist do capítulo

Capítulo 3 — Sistema Circulatório / Cardiovascular8 questões · anatomia, histologia, eletrofisiologia, ciclo, hemodinâmica e circulação fetal

A. Visão geral

Três eixos: bomba (ciclo cardíaco + contratilidade + Frank-Starling), eletricidade (potenciais de ação + ECG + condução) e tubos (hemodinâmica, Poiseuille, microcirculação e controle da PA). A prova gosta de cruzar o ciclo com o ECG e de hemodinâmica conceitual (raio, resistência, turbulência).

B. Anatomia do coração e grandes vasos

Coração: câmaras e valvas
O que observar: as quatro valvas e seu aparato: tricúspide (AD→VD, 3 cúspides), pulmonar (VD→tronco pulmonar), mitral (AE→VE, 2 cúspides), aórtica (VE→aorta). Note cordoalhas tendíneas e músculos papilares apenas nas valvas AV (impedem prolapso na sístole); as semilunares (pulmonar/aórtica) não as possuem. Legenda em português: valva pulmonar, valva aórtica, valva mitral, valva tricúspide, cordoalhas, músculo papilar.

C. Histologia do coração

D. Eletrofisiologia

Potencial de ação do cardiomiócito ventricular (fases): 0 despolarização rápida por canais rápidos de Na⁺; 1 repolarização inicial (K⁺ transitório, fechamento de Na⁺); 2 plateau = entrada de Ca²⁺ por canais lentos tipo L equilibrada por saída de K⁺ (é o plateau que garante o período refratário longo e a contração); 3 repolarização (K⁺); 4 repouso estável ≈ −90 mV (Na/K-ATPase).

Células marcapasso: sem repouso estável: despolarização diastólica espontânea (fase 4 instável) por corrente "funny" (If, Na⁺/K⁺), entrada de Ca²⁺ tipo T e L, e queda de K⁺; limiar ≈ −40 mV; fase 0 por Ca²⁺ L (lenta). Simpático (β1) ↑ If e Ca → ↑FC (cronotropismo positivo); parassimpático (M2) ↓ If → ↓FC.

E. ECG — correlação

Onda/intervaloEvento elétricoEvento mecânico associado
PDespolarização atrialSístole atrial (fim do enchimento)
PR (120–200 ms)Condução AV (atraso no nó AV)Enchimento ventricular passivo + sístole atrial
QRS (<120 ms)Despolarização ventricular (repolarização atrial escondida)Início da contração isovolumétrica
STPlateau (fase 2)Ejeção
TRepolarização ventricularInício do relaxamento isovolumétrico
QTSístole elétrica ventricularSístole mecânica
PegadinhaQRS coincide com o início da contração (sístole), não com relaxamento; e o intervalo P-QRS antecede a contração. A banca inverte essa correspondência.

F. Ciclo cardíaco (diagrama de Wiggers)

Diagrama de Wiggers
O que observar (traduzindo o esquema): curva vermelha = pressão do VE; preta superior = pressão aórtica; azul = átrio; painel inferior = volume do VE (VED ≈ 120–130 mL, VES ≈ 50 mL, VS ≈ 70 mL). Marcos: (1) sístole atrial; (2) fechamento da valva AV = S1 e início da contração isovolumétrica (volume constante, pressão sobe); (3) pressão do VE ultrapassa a aórtica → abre aórtica = ejeção; (4) queda da pressão abaixo da aórtica → fecha aórtica = S2 (incisura dicrótica na curva aórtica) e relaxamento isovolumétrico; (5) pressão do VE < atrial → abre mitral → enchimento passivo rápido + diástase.

G. Hemodinâmica da bomba

Não confundaMudança de pré-carga = deslizar na curva de Starling; mudança de contratilidade = deslocar a curva inteira. Pós-carga não é volume: é a "parede" de pressão contra a qual o VE ejeta.

H. Fluxo, resistência e turbulência

I. Microcirculação e Starling

Equação de Starling: Jv = Kf · [(Pc − Pi) − σ(πc − πi)]. Forças de saída: hidrostática capilar (Pc ≈ 35 mmHg no arterial, 15 no venoso) e oncótica intersticial; forças de entrada: oncótica plasmática (πc ≈ 25–28 mmHg, albumina) e hidrostática intersticial. Resultado: filtração no arterial, reabsorção no venoso + drenagem linfática do excedente (~2–4 L/dia) e das proteínas extravasadas.

Edema por: ↑Pc (ICC, insuficiência venosa), ↓πc (síndrome nefrótica, cirrose, desnutrição), ↑Kf/permeabilidade (inflamação, queimadura), obstrução linfática (linfedema, filariose).

J. Controle da pressão arterial

K. Circulação fetal e mudanças ao nascimento

MemorizeShunts fetais: ducto venoso (pula fígado), forame oval (AD→AE), ducto arterioso (pulmonar→aorta). Veia umbilical = sangue OXIGENADO; artérias umbilicais = sangue POBRE em O₂.

L. Como pode ser cobrado

M. Revisão ativa

N. Checklist do capítulo

Capítulo 4 — Sistema Respiratório7 questões · um dos capítulos mais completos, por ser sua principal dificuldade

A. Visão geral

Quatro blocos que se encadeiam: ventilação (mecânica e volumes), difusão (Fick), perfusão e relação V/Q, e transporte + controle. Entenda pressões primeiro: tudo o mais deriva delas.

B. Anatomia

Árvore brônquica e lobos
O que observar: traqueia → brônquios principais → lobares → segmentares → bronquíolos. Pulmão direito: 3 lobos (superior, médio, inferior) e 2 fissuras (horizontal e oblíqua); esquerdo: 2 lobos e 1 fissura (oblíqua), com língula e incisura cardíaca. O brônquio principal direito é mais largo, mais curto e mais vertical → corpo estranho/aspiração mais frequentes à direita.

C. Histologia — como diferenciar traqueia, brônquio, bronquíolo e alvéolo

Histologia da traqueia
O que observar: epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes (epitélio respiratório), glândulas seromucosas na submucosa e cartilagem hialina com pericôndrio. Tradução dos rótulos: ciliated columnar epithelium = epitélio cilíndrico ciliado; seromucinous cells = glândulas seromucosas; hyaline cartilage = cartilagem hialina; fibroelastic tissue = tecido fibroelástico da adventícia.
Histologia do pulmão - alvéolos
O que observar: espaços amplos e vazios delimitados por septos finíssimos com capilares (hemácias dentro) e núcleos achatados de pneumócitos tipo I; núcleos arredondados que "saltam" para o lúmen = pneumócitos tipo II; agregados de células de defesa = macrófagos alveolares (células de poeira). Não há cartilagem nem glândulas aqui.
EstruturaEpitélioCartilagemGlândulasMúsculo liso
TraqueiaPseudoestratificado cilíndrico ciliado + caliciformesAnéis em CSim (submucosa)Pouco (m. traqueal)
BrônquioPseudoestratificado cilíndrico ciliadoPlacas irregularesSim (diminuem)Presente em feixes
BronquíoloSimples cúbico ciliado (Clara/club cells)NãoNãoPredominante
AlvéoloPneumócitos I e II (epitélio alveolar)NãoNãoNão

Pneumócito I: achatado, cobre ~95% da superfície, faz a barreira de difusão. Pneumócito II: cuboide, produz surfactante (corpos lamelares) e é a célula progenitora de reposição. Poros de Kohn: comunicações interalveolares (ventilação colateral).

D. Embriologia

E. Mecânica ventilatória e pressões

F. Volumes e capacidades

ParâmetroValor típico (adulto)Definição
VT (volume corrente)~500 mLAr por ciclo tranquilo
VRI~3.100 mLInspirável além do VT
VRE~1.200 mLExpirável além do tranquilo
VR (residual)~1.200 mLResta após expiração máxima (não mensurável por espirometria)
CI = VT+VRI~3.600 mLCapacidade inspiratória
CRF = VRE+VR~2.400 mLCapacidade residual funcional (equilíbrio elástico)
CV = VT+VRI+VRE~4.800 mLCapacidade vital
CPT = CV+VR~6.000 mLCapacidade pulmonar total
Espaço morto anatômico~150 mLVias de condução

Espirometria: VEF1 = volume expirado no 1º s; CVF = capacidade vital forçada; relação VEF1/CVF ≥ 0,7. Obstrutivo (asma, DPOC): ↓VEF1/CVF, ↑VR/CPT (hiperinsuflação). Restritivo (fibrose): ↓CVF e ↓CPT com relação normal ou alta.

G. Difusão — Lei de Fick

Vgas ∝ (A · D · ΔP) / espessura, onde D depende da solubilidade/√PM. CO₂ difunde ~20× mais rápido que O₂ (muito mais solúvel) — por isso, na difusão prejudicada, a hipoxemia aparece antes da hipercapnia. Fatores que reduzem difusão: ↑espessura (edema, fibrose), ↓área (enfisema, pneumonectomia), ↓ΔP (altitude), ↓tempo de trânsito (exercício intenso).

H. Relação ventilação/perfusão (V/Q)

IntegraçãoHipoventilação: PaCO₂ ↑ e PaO₂ ↓ com gradiente A-a NORMAL. Shunt: PaO₂ ↓ com gradiente A-a AUMENTADO e pouca resposta a O₂. Essa dupla distinção é a forma mais elegante de cair.

I. Transporte de gases

O₂: conteúdo arterial = (1,34 × Hb × SatO₂) + (0,003 × PaO₂). A maior parte vai ligada à Hb; o dissolvido é desprezível. Curva de dissociação sigmoide (cooperatividade): platô acima de PaO₂ 60 mmHg (segurança), trecho íngreme nos tecidos (libera muito O₂ com pequena queda de PO₂). Desvio para a DIREITA (↓afinidade, libera O₂): ↑CO₂, ↑H⁺ (↓pH), ↑temperatura, ↑2,3-DPG (altitude, exercício, anemia crônica). Desvio para a ESQUERDA (↑afinidade, segura O₂): ↓CO₂, ↑pH, ↓temperatura, Hb fetal, CO, metemoglobina, sangue estocado.

Efeito Bohr: ↑CO₂/H⁺ nos tecidos desloca a curva à direita e facilita a liberação de O₂ (e, no pulmão, o inverso facilita a captação). Monóxido de carbono: afinidade ~200–250× maior que O₂; ocupa sítios da Hb E desloca a curva à esquerda (piora a liberação tecidual); PaO₂ pode estar NORMAL com saturação de O₂ da Hb despencada — a oximetria de pulso não distingue carboxi-Hb!

CO₂: ~70% como bicarbonato (CO₂ + H₂O → H₂CO₃ → H⁺ + HCO₃, pela anidrase carbônica dentro da hemácia; HCO₃⁻ sai em troca de Cl⁻ = desvio do cloreto); ~20–25% carbamino (ligado a grupos amino da Hb); ~7% dissolvido. Efeito Haldane: a desoxigenação da Hb aumenta sua capacidade de carregar CO₂/H⁺ (nos tecidos); no pulmão, a oxigenação libera CO₂.

Não confundaBohr = efeito do CO₂/H⁺ sobre a ligação de O₂. Haldane = efeito da oxigenação da Hb sobre o transporte de CO₂.

J. Controle da respiração

K. Pneumotórax — explicação fisiológica

A pleura visceral e a parietal formam um espaço virtual com pressão negativa que "cola" o pulmão à parede. Se o ar entra nesse espaço (trauma, bolha rota), Ppl → 0 (iguala a atmosférica): desaparece a pressão transpulmonar, o pulmão colapsa pelo recuo elástico próprio e a parede torácica se expande para fora. Consequências: ↓ventilação ipsilateral, desvio de mediastino no hipertensivo (compressão do retorno venoso = choque obstrutivo), hipoxemia com ↑gradiente A-a por shunt relativo.

L. Como pode ser cobrado

M. Revisão ativa

N. Checklist do capítulo

Capítulo 5 — Sistema Nervoso12 questões · prioridade máxima junto com Citologia

A. Visão geral

Eixos: desenvolvimento (tubo neural e vesículas), célula (neurônio e glia), sinal (potencial de ação, sinapse, neurotransmissores), arquitetura (medula, tronco, cerebelo, diencéfalo, telencéfalo), sistemas (motor, sensitivo, autonômico, límbico, sono, LCR, vascular).

B. Embriologia

C. Neurônio e glia

Medula espinal em corte transversal
O que observar: substância cinzenta em "H"/borboleta no centro (cornos anteriores largos e motores, cornos posteriores estreitos e sensitivos) rodeada por substância branca (funículos anterior, lateral e posterior com fascículos grácil e cuneiforme). Tradução: posterior funiculus = funículo posterior; gracile/cuneate fasciculus = fascículos grácil e cuneiforme; substantia gelatinosa = substância gelatinosa; anterior white commissure = comissura branca anterior (onde cruzam as fibras espinotalâmicas).
Célula glialFunçãoPearl de prova
AstrócitoSuporte, K⁺ e glutamato extracelular, BHE (pés vasculares), cicatriz glióticaNão forma BHE sozinho (é o endotélio com tight junctions)
OligodendrócitoMielina no SNCUm único oligodendrócito mieliniza VÁRIOS axônios
Célula de SchwannMielina no SNP1 Schwann : 1 segmento de 1 axônio
MicrógliaFagocitose, imunidade do SNC (origem mesodérmica/mieloide)Ativa em infecções/neurodegeneração
EpendimócitoRevestem ventrículos; plexo coroide produz LCRCélulas ependimárias + capilares = plexo coroide

D. Potencial de ação e condução

E. Sinapse e neurotransmissores

Sequência: PA no terminal → abertura de canais de Ca²⁺ voltagem-dependentes → influxo de Ca²⁺ → proteínas SNARE (sinaptobrevina/VAMP na vesícula; sintaxina e SNAP-25 na membrana) → fusão e exocitose → neurotransmissor na fenda → receptor pós-sináptico → remoção (reuptake, degradação enzimática, difusão).

NeurotransmissorLocal principalReceptores/funçãoClínica
GlutamatoPrincipal excitatório do SNCAMPA (Na⁺, EPSP rápido), NMDA (Ca²⁺, bloqueado por Mg²⁺ em repouso; plasticidade/LTP), mGluRExcitotoxicidade na isquemia
GABAPrincipal inibitório do encéfaloGABA-A (Cl⁻; benzodiazepínicos ↑frequência de abertura; barbitúricos ↑tempo), GABA-B (K⁺)Ansiolíticos, antiepilépticos
GlicinaInibitório de medula e troncoCanal de Cl⁻Estricnina bloqueia → espasmos
AcetilcolinaJunctional NMJ, autonômico, basal forebrainNicotínico (ionotrópico), muscarínico (GPCR)Miastenia (receptor NMJ); Alzheimer
DopaminaSubstância negra→estriado (nigroestriatal); VTA→límbico (mesolímbico); tuberoinfundibularD1-like (↑cAMP), D2-like (↓cAMP)Parkinson (nigroestriatal); psicose/prolactina (mesolímbico/tuberoinfundibular)
Serotonina (5-HT)Núcleos da rafe5-HT1–7 (maioria GPCR)Depressão, SSRIs
NoradrenalinaLocus ceruleus; pós-ganglionares simpáticosα1, α2, β1, β2Atenção, alerta
Como pode cair"Interferência clínica na recaptação": antidepressivos tricíclicos inibem a recaptação de noradrenalina e serotonina (e SSRIs, de serotonina). Benzodiazepínico no GABA-A é modulação de receptor, NÃO recaptação; AChE na junção é degradação, NÃO recaptação.

F. Medula espinal, raízes e reflexos

G. Sistema nervoso autônomo

SimpáticoParassimpático
OrigemToracolombar (T1–L2)Craniossacral (III, VII, IX, X + S2–S4)
GângliosParavertebrais/pré-vertebrais (longe do alvo; pré curto, pós longo)Perto ou dentro do alvo (pré longo, pós curto)
Pré-ganglionarACh (nicotínico)ACh (nicotínico)
Pós-ganglionarNoradrenalina — EXCEÇÃO: glândulas sudoríparas (ACh muscarínico) e medula adrenal (pré-ganglionar direto → cromafins liberam adrenalina)ACh (muscarínico)
Efeitos↑FC, ↑contratilidade, vasoconstrição cutânea/α1, broncodilatação β2, midríase, ↓peristaltismo↓FC, miose, broncoconstrição, ↑peristaltismo, ereção, secreções

H. Nervos cranianos — resumo funcional

I olfatório (cheiro); II óptico (visão); III oculomotor (elevação da pálpebra, movimentos medial/superior/inferior, miose e acomodação parassimpática); IV troclear (oblíquo superior — olhar para baixo e dentro); V trigêmeo (sensibilidade da face + mastigação; V1 oftálmico, V2 maxilar, V3 mandibular); VI abducente (reto lateral); VII facial (mímica facial, paladar 2/3 anteriores, lacrimal/submandibular); VIII vestíbulo-coclear; IX glossofaríngeo (paladar 1/3 posterior, sensibilidade da faringe, parótida, baro/quimiorreceptores carotídeos); X vago (parassimpático torácico-abdominal, fonação, deglutição); XI acessório (ECM e trapézio); XII hipoglosso (língua).

I. Sistemas motor superior × inferior

SinalLesão de NMS (piramidal)Lesão de NMI
TônusEspasticidadeFlacidez
ReflexosHiper-reflexia, clônusHipo/arreflexia
BabinskiPresente (extensão do hálux)Ausente
AtrofiaDiscreta (desuso)Acentuada + fasciculações
LocalCórtex motor, cápsula interna, tronco, medula (via corticoespinhal)Corno anterior, raiz ventral, plexo, nervo, NMJ

J. Cerebelo, núcleos da base, diencéfalo

K. LCR, BHE e vascularização

Fluxo do LCR: plexos coroides (ventrículos laterais) → forames de Monro → III ventrículo → aqueduto de Sylvius → IV ventrículo → forames de Luschka (laterais) e Magendie (medial) → espaço subaracnoide → granulações aracnoideas → seio sagital superior. Obstrução → hidrocefalia (não comunicante se dentro do sistema ventricular; comunicante se na reabsorção). Produção ~500 mL/dia, volume ~150 mL.

BHE: endotélio com tight junctions + pericitos + pés astrocitários; áreas sem BHE: órgãos circunventriculares (área postrema/êmese, neuro-hipófise, órgão subfornical).

Vascularização: carótidas internas (ACA, ACM) + vertebrais → basilar (ACP via posterior). Polígono de Willis conecta. Territórios: ACA = face medial (perna/pé no homúnculo); ACM = face lateral (face e membro superior + Broca/Wernicke) — AVC mais frequente; ACP = occipital (hemianopsia homônima contralateral com preservação macular).

L. Vias longas — onde cruzam (esquema em português)

VIAS LONGAS — NÍVEL DA DECUSSAÇÃO Coluna dorsal–lemnisco medial (tato fino, vibração, propriocepção) 1º neurônio: gânglio da raiz dorsal Sobe IPSILATERAL na medula CRUZA no BULBO (lemnisco medial) 2º neurônio → tálamo (VPL) 3º neurônio → córtex sensitivo Espinotalâmica (dor, temperatura, tato grosseiro) 1º neurônio: gânglio da raiz dorsal CRUZA na MEDULA (1–2 segmentos, comissura anterior) Sobe contralateral → tálamo (VPL) 3º neurônio → córtex sensitivo Corticoespinhal (motora) (movimento voluntário) NMS: córtex motor (área 4) Desce pela cápsula interna e tronco CRUZA nas PIRÂMIDES (bulbo) → trato corticoespinhal lateral NMI: corno anterior → músculo Brown-Séquard (hemissecção): perda motora ipsilateral + propriocepção ipsilateral + dor/temperatura CONTRALATERAL abaixo da lesão.

M. Como pode ser cobrado

N. Revisão ativa

O. Checklist do capítulo

Capítulo 6 — Órgãos dos Sentidos6 questões · olho, ouvido, paladar e receptores cutâneos

A. Olho — anatomia e túnicas

Anatomia do olho
O que observar (traduzindo): cornea = córnea; iris = íris; pupil = pupila; lens = cristalino; aqueous humor = humor aquoso; suspensory ligament = zônula/coroa ciliar; ciliary body = corpo ciliar; sclera = esclera; choroid = coroide; retina = retina; fovea = fóvea; optic nerve = nervo óptico; blind spot = disco óptico (ponto cego); vitreous chamber = câmara vítrea. Note as três túnicas: fibrosa (esclera+córnea), vascular (coroide+corpo ciliar+íris) e nervosa (retina).

B. Retina e fototransdução

Histologia da retina
O que observar: a retina é "invertida": a luz atravessa primeiro as camadas internas. De cima para baixo no corte: ilm = membrana limitante interna; nfl = camada de fibras nervosas (axônios das ganglionares); ggc = camada de células ganglionares; ipl = plexiforme interna; inl = camada nuclear interna (bipolares, horizontais, amácrinas); opl = plexiforme externa; onl = camada nuclear externa (núcleos de fotorreceptores); rac = camada de bastonetes e cones; rpe = epitélio pigmentar (fagocita discos, barreira); chr = coroide. Embriologicamente, a camada neural do cálice óptico origina os neurônios sensoriais (fotorreceptores, bipolares, ganglionares, horizontais e amácrinas); a camada externa origina o epitélio pigmentar.

Fototransdução (o ponto mais cobrado): no escuro, o fotorreceptor está DESPOLARIZADO: cGMP alto mantém canais de Na⁺/Ca²⁺ abertos (corrente escura) e há liberação contínua de glutamato. Com luz: fóton isomeriza o 11-cis-retinal → ativa rodopsina → transducina (G) → fosfodiesterase → ↓cGMP → fecham-se os canais de cátions → o fotorreceptor HIPERPOLARIZA → REDUZ a liberação de glutamato → as bipolares (ON/OFF) mudam de atividade → ganglionares disparam potenciais de ação (única célula da retina que gera PA).

Bastonetes: alta sensibilidade, visão noturna/acromática, periferia. Cones: acuidade e cores (S/M/L), concentrados na fóvea (sem vasos e sem camadas internas sobrepostas = máxima acuidade).

C. Via óptica e lesões

Via óptica e lesões numeradas
O que observar: retina → nervo óptico → quiasma (cruzam apenas as fibras NASAIS) → trato óptico (fibras temporais ipsilaterais + nasais contralaterais) → corpo geniculado lateral → radiações ópticas → córtex occipital (área 17). Lesões clássicas: 1 = nervo óptico → cegueira monocular ipsilateral; 2/3 = quiasma (compressão hipofisária) → hemianopsia bitemporal; 4 = trato óptico → hemianopsia homônima contralateral; radiações temporais (alça de Meyer) → quadrantanopsia superior contralateral ("pizza no céu"); occipital → hemianopsia homônima com poupa macular.

Acomodação: para perto: músculo ciliar contrai (parassimpático III) → zônula relaxa → cristalino fica mais convexo (+ convergência + miose = tríade de perto). Com a idade, presbiopia (perda de elasticidade do cristalino).

Reflexo fotomotor: aferente = II (retina→pretectal); eferente = III (Edinger-Westphal→esfíncter da pupila). Direto e consensual; defeito aferente relativo = pupila de Marcus Gunn.

D. Ouvido

Anatomia do ouvido
O que observar (traduzindo): auricle = pavilhão; ear canal = meato acústico externo; tympanic membrane = membrana timpânica; malleus/incus/stapes = martelo, bigorna, estribo; tympanic cavity = caixa timpânica; auditory tube = tuba auditiva (equaliza pressão); semicircular ducts = canais semicirculares; cochlea = cóclea; vestibular/cochlear nerve = nervos vestibular e coclear (VIII). O estribo empurra a janela oval; a janela redonda dissipa a onda.
Corte histológico da cóclea
O que observar: corte axial da cóclea com 3 compartimentos por volta: SV = scala vestibuli (rampa vestibular); SM = scala media (ducto coclear); ST = scala tympani (rampa timpânica); CN = modíolo com o nervo coclear; OC = órgão de Corti sobre a membrana basilar. Do lado da SV, a fina membrana de Reissner delimita a SM.

E. Paladar e receptores cutâneos

ReceptorTipo/adaptaçãoEstímuloLocal
MeissnerEncapsulado, rápidaTato fino, vibração de baixa frequênciaPele glabra (polpas digitais)
Pacini (Paciniano)Encapsulado em "cebola", rapidíssimaVibração de alta frequência, pressão profundaDerme profunda, hipoderme
Merkel (discos)Não encapsulado, lentaPressão sustentada, texturaCamada basal epidérmica
RuffiniEncapsulado fusiforme, lentaEstiramento da pele e articulaçõesDerme profunda, tendões, ligamentos
Terminações livres—Dor e temperaturaTodo o corpo
Golgi (tendinoso)EncapsuladoTensão muscularTendões

F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist

Como pode cairCanal óptico = nervo óptico + artéria oftálmica. Luz hiperpolariza o fotorreceptor e REDUZ glutamato. Membrana de Reissner = barreira endolinfa/perilinfa entre rampa vestibular e ducto coclear. Órgão de Corti = células de sustentação + ciliadas receptoras secundárias. Ruffini = mecanorreceptor encapsulado fusiforme de adaptação lenta.

Capítulo 7 — Aparelho Locomotor6 questões · osso, cartilagem, articulações, músculo e anatomia aplicada

A. Tecido ósseo

Osso compacto - osteônio
O que observar: no centro, o canal de Havers (contém vasos); ao redor, lamelas concêntricas; entre elas, pequenas lacunas escuras com osteócitos ligadas por canalículos finos. O conjunto = osteônio/sistema de Havers, unidade estrutural do osso compacto.

B. Ossificação e crescimento

C. Cartilagens

Cartilagem hialina
O que observar: matriz homogênea e basofílica (vidrosa) com condrócitos em lacunas, frequentemente em grupos isogênicos (2–4 células irmãs); na periferia, pericôndrio com fibroblastos. Ausência de vasos e nervos. Na elástica veria fibras elásticas escuras; na fibrocartilagem, feixes de colágeno paralelos com condrócitos em fileiras e SEM pericôndrio.
TipoFibrasPericôndrioLocais
HialinaColágeno II (invisível ao MO)Sim (exceto articular)Articulações, costelas, nariz, traqueia, brônquios, esqueleto fetal, placa epifisária
ElásticaColágeno II + elastinaSimPavilhão auricular, epiglote, tuba auditiva
FibrocartilagemColágeno I densoNãoDiscos intervertebrais (ânulo fibroso), meniscos, sínfise pubiana, inserções tendíneas

D. Articulações, ligamentos e tendões

E. Músculo esquelético e contração

Fibra muscular e sarcômero
O que observar (traduzindo): muscle fiber = fibra muscular com sarcoplasma, retículo sarcoplasmático (sarcoplasmic reticulum) e túbulos T (transverse tubule); myofibril = miofibrila; sarcomere = sarcômero delimitado por linhas Z (Z disc); A band = banda A (escura, comprimento da miosina); I band = banda I (clara, só actina, cruzada pela linha Z); H zone = zona H (só miosina); M line = linha M. Na contração: banda A NÃO muda; bandas I e zona H encurtam.

Acoplamento excitação-contração: PA na placa motora → propaga pelo sarcolema e túbulos T → sensor DHP (canal de Ca²⁺ da membrana do T) abre mecanicamente o receptor RyR do retículo sarcoplasmático → liberação de Ca²⁺ → Ca²⁺ liga troponina C → tropomiosina desloca-se e expõe sítios da actina → pontes cruzadas de miosina (com ATP hidrolisado) fazem o power stroke → deslizamento → nova ATP liga e solta a cabeça. Relaxamento: Ca²⁺ bombeado de volta pela SERCA. Rigor mortis: sem ATP, as pontes não se soltam.

Ciclo das pontes cruzadas: (1) ATP hidrolisa → cabeça armada; (2) ligação à actina; (3) power stroke (libera ADP+Pi); (4) novo ATP → desligamento. Força depende do número de pontes (sobreposição actina-miosina → relação comprimento-tensão) e da frequência de estimulação (somação/tétano).

Junção neuromuscular: terminal motor libera ACh → receptores nicotínicos (canal de Na⁺/K⁺) → potencial de placa motora (sempre supra-limiar) → PA muscular. AChE degrada. Bloqueadores: curare (competitivo), succinilcolina (despolarizante); miastenia = anticorpos anti-receptor.

Unidade motora: 1 motoneurônio α + fibras inervadas; princípio do tamanho (recruta primeiro as pequenas/lentas tipo I). Fuso = comprimento/velocidade (Ia, II); Golgi = tensão (Ib).

F. Anatomia aplicada (o que a prova cobra)

EstruturaFunção/testeNervo/lesão clássica
Manguito rotador: supraespinal, infraespinal, redondo menor, subescapularSupraespinal inicia abdução (0–15°); infraespinal e redondo menor = rotação externa (teste com braço 90° abduzido e cotovelo 90°); subescapular = rotação internaSupraespinal = tendinopatia/ruptura mais comum
Nervo axilarDeltóide (abdução 15–90°) + sensibilidade "insígnia"Fratura do colo cirúrgico do úmero, luxação glenoumeral
Nervo radialExtensão de punho/dedosSulco espiral do úmero → "mão caída"
Nervo medianoFlexores do antebraço, tenares, sensibilidade polpa 1º–3º dedosFratura supracondiliana, túnel do carpo → "mão de bênção"/atrofia tenar
Nervo ulnarIntrínsecos da mão, interósseosEpicôndilo medial → "mão em garra", sinal de Froment
Triângulo femoralLimites: ligamento inguinal (superior), sartório (lateral), adutor longo (medial). Conteúdo lateral→medial: NAVeL (nervo femoral, artéria femoral, veia femoral, linfáticos)Acesso para punção/cateterismo; hérnia femoral
Nervo femoral / obturatórioQuadríceps (extensão do joelho) / adutoresFemoral: pelve/coxa anterior; obturatório: face medial da coxa
Nervo ciáticoIsquiotibiais + todos os músculos abaixo do joelhoPassa pelo forame isquiático maior, em geral inferior ao piriforme (referência anatômica); injeção glútea no quadrante superolateral
Nervo fibular comumCompartimentos anterior/lateral da pernaColo da fíbula → "pé caído" (equino)
Joelho: LCA, LCP, meniscosLCA impede translação anterior da tíbia (gaveta anterior); LCP, posterior; menisco medial menos móvel (mais lesionado); tríade infeliz = LCA + colateral medial + menisco medial—
Compartimentos extensores do punho5º compartimento = extensor do quinto dedo; 1º = abdutor longo + extensor curto do polegar (De Quervain)—

G. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist

PegadinhaOsteócito (manutenção) × osteoblasto (formação) × osteoclasto (reabsorção). Fibrocartilagem no disco intervertebral, não hialina. Banda A não encurta na contração. Ruffini/Golgi não se confundem: Golgi é tendinoso (tensão), Ruffini é cutâneo/ligamentar (estiramento).

Capítulo 8 — Cuidados de Enfermagem4 questões · biossegurança, procedimentos, cálculos e pós-operatório

A. Biossegurança e precauções

PrecauçãoTransmissãoEPI/medidasExemplos
ContatoContato direto/indiretoLuvas + avental; paciente cohorteMRSA, VRE, C. difficile, escabiose
GotículasPartículas >5 µm, curta distância (<1 m)Máscara cirúrgica ao entrarInfluenza, meningite meningocócica, caxumba, rubéola
AerossóisPartículas <5 µm, suspensasN95/PFF2, quarto com pressão negativaTuberculose, sarampo, varicela

B. Antissepsia × desinfecção × esterilização

ProcessoOndeO que eliminaExemplos
AntissepsiaTecido vivoReduz microbiota (não esporos)Álcool 70%, clorexidina, PVPI
Desinfecção (níveis baixo/médio/alto)Superfícies/artigosBaixo: bactérias vegetativas; médio: + tuberculose/vírus; alto: tudo exceto esporos em nº elevadoÁlcool, hipoclorito, glutaraldeído (alto)
EsterilizaçãoArtigos críticosTodas as formas de vida, inclusive esporosAutoclave (121 °C, 15–20 min), óxido de etileno, plasma de H₂O₂

C. Sinais vitais — técnica e erros

D. Sondagem vesical (cateterismo urinário)

E. Oxigenoterapia e aspiração traqueal

DispositivoFluxoFiO₂ aprox.Quando preferir
Cateter nasal (cânula)1–6 L/min24–44%Baixa concentração, conforto, DPOC estável
Máscara simples5–10 L/min40–60%Concentração média; fluxos <5 L acumulam CO₂
Máscara de VenturiConforme cor do bico24–60% FIXA e precisaRetentores de CO₂/DPOC — FiO₂ exata independente do padrão respiratório
Máscara com reservatório10–15 L/min60–90%Emergências, hipoxemia grave

Aspiração traqueal: indicada por sinais (ruídos adventícios, secreção visível, dessaturação, ↑pressão inspiratória na VM) — NÃO por horário fixo. Técnica: pré-oxigenar, cateter estéril do calibre adequado, introduzir SEM sucção, aspirar em retirada com rotação por ≤10–15 s, no máximo 2–3 passadas, monitorar FC/SpO₂. Riscos: hipoxemia, arritmias, trauma de mucosa, broncoespasmo, infecção. Em paciente com máscara de Venturi e secreção: interromper brevemente, aspirar com técnica estéril e retomar o O₂ imediatamente.

F. Venopunção e administração segura de medicamentos

G. Cálculos de medicamentos — exemplos resolvidos

  1. Regra de três (dose): prescrito 300 mg; apresentação 500 mg/5 mL → x = 300×5/500 = 3 mL.
  2. Diluição/rediluição: frasco de 1 g (1000 mg) diluído em 10 mL → 100 mg/mL; para 250 mg → 2,5 mL.
  3. Gotejamento: gotas/min = volume(mL) ÷ tempo(h) ÷ 3 → 500 mL em 8 h = 500/8/3 ≈ 21 gotas/min. Microgotas/min = volume ÷ tempo(h) → 500/8 ≈ 63 microgotas/min.
  4. Bomba de infusão: mL/h = volume ÷ tempo(h) → 500 mL em 8 h = 62,5 mL/h; 100 mL de antibiótico em 30 min = 200 mL/h.
  5. Insulina: prescrito 8 UI; seringa de 100 UI/mL com frasco U-100 → 8 UI = 0,08 mL (marcar 8 na seringa de 100).

H. Feridas e cicatrização

I. Pós-operatório imediato

J. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist

Como pode cairBomba: programar pela prescrição conferindo velocidade e volume. Ferida necrótica: desbridamento apropriado. Pós-colecistectomia: exercícios respiratórios e tosse assistida. Venturi + secreção: aspirar com técnica estéril e retomar O₂ em seguida.

Capítulo 9 — Sistema Hematológico3 questões · hematopoiese, hemostasia, transfusão e TCTH

A. Hematopoiese

Eritropoiese
O que observar: sequência da eritropoiese: proeritroblasto → eritroblasto basófilo → policromatófilo → normoblasto (ortocromático) → extrusão do núcleo → reticulócito (1–2 dias, ainda com RNA) → hemácia madura (bicôncava, anucleada). Tradução: ejection of nucleus = extrusão do núcleo; enters circulation = entra na circulação.

B. Hemograma — índices

ParâmetroSignificadoUso
Hb / HtMassa de hemoglobina / fração volumétrica de hemáciasAnemia: Hb <13 (H) / <12 (M)
VCMVolume médio (Ht/RBC)<80 microcitose (ferropriva, talassemia); >100 macrocitose (B12/folato)
HCM / CHCMConteúdo/concentração de Hb por hemáciaHipocromia na ferropriva
RDWAnisocitose (variação de tamanho)↑ precoce na ferropriva; normal na talassemia trait
Leucograma / plaquetasSéries branca e plaquetáriaDesvio à esquerda = formas jovens (infecção bacteriana)

C. Leucócitos e plaquetas — funções

D. Hemostasia

Primária (tampão plaquetário): lesão → adesão via vWF–GPIb; ativação (trombina, colágeno, TXA₂, ADP) com mudança de forma e secreção; agregação por GPIIb/IIIa–fibrinogênio ligando plaquetas entre si. Vasoconstrição reflexa inicial.

Secundária (coagulação): via extrínseca (FT + VII) e intrínseca (XII, XI, IX, VIII) convergem no X → protrombinase (Xa + Va) → trombina (IIa) → cliva fibrinogênio em fibrina + ativa fator XIII (cross-linking) e plaquetas (amplificação). Vitamina K: fatores II, VII, IX, X (e proteínas C e S).

TesteAvaliaProlonga em
TP / INRVia extrínseca/comum (VII, X, V, II, fibrinogênio)Varfarina, deficiência de vit. K, hepatopatia, CID
TTPaVia intrínseca/comum (XII, XI, IX, VIII…)Heparina, hemofilias A/B, inibidores
D-dímeroProdutos de degradação da fibrina↑ em trombose/CID (alto VPN negativo)

Fibrinólise: plasminogênio → plasmina (via tPA) → degrada fibrina → D-dímeros; regulada por PAI-1 e α2-antiplasmina.

E. Hemocomponentes, ABO/Rh e reações

Medula óssea histologia
O que observar: medula óssea hematopoeticamente ativa: celularidade abundante (precursoras das três séries, núcleos variados) entremeada por adipócitos grandes e vazios; procure um megacariócito (célula gigante multilobulada). A proporção celular/gordura estima a celularidade (regra prática: 100 − idade em %).

F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist

PegadinhaIrmãos HLA-idênticos = 25% (não 75%). PTI: transfundir plaquetas só em sangramento grave. TP/INR = extrínseca/varfarina; TTPa = intrínseca/heparina. Reticulócito = marcador de produção recente.

Capítulo 10 — Sistema Tegumentar3 questões · pele, anexos, termorregulação e ciclo capilar

A. Estrutura e estratos

Pele espessa
O que observar: estrato córneo muito espesso (faixa eosinofílica superficial), estrato lúcido translúcido logo abaixo (presente só em pele espessa), derme com papilas e, na base, hipoderme adiposa; ausência de folículos pilosos e glândulas sebáceas = pele espessa (palma/planta).
Ple fina
O que observar: epiderme fina, folículos pilosos numerosos com bulbos na derme/hipoderme, glândulas sebáceas anexas e músculo eretor do pelo; córneo delgado e sem estrato lúcido = pele fina (maior parte do corpo).

B. Células especiais

C. Glândulas — tabela comparativa

ÉcrinaApócrinaSebácea
LocalToda a pele (palmas/plantas abundantes)Axilas, aréolas, perineoAnexa ao folículo (face, couro cabeludo); ausente em palmas/plantas
DesembocaduraDireto na superfícieNo folículo pilosoNo folículo piloso (unidade pilossebácea)
MecanismoMerócrina (exocitose)Apócrina (porção apical)Holócrina (célula se rompe e é eliminada com o sebo)
Secreção/funçãoSudorese aquosa — termorregulaçãoViscosa, odor após ação bacteriana; ativa na puberdadeSebo lipídico — lubrificação e barreira
ControleSimpático colinérgico (ACh)Simpático adrenérgico + hormonalAndrógenos (não nervoso)
PegadinhaSudoríparas écrinas = simpático colinérgico (exceção autonômica que também cai em Neuro). Sebácea = holócrina e androgênio-dependente; mais ativa na puberdade, não entre 5–10 anos.

D. Termorregulação

E. Folículo piloso e ciclo capilar

F. Como pode ser cobrado / Revisão ativa / Checklist

Como pode cairAnágena = fase de crescimento longa com mitoses (2–6 anos no couro cabeludo). Convecção aumenta com vento. Écrina = merócrina e colinérgica; sebácea = holócrina; apócrina = no folículo. Melanócito = crista neural + tirosinase + melanossomo.

Capítulo 11 — Suporte Básico de Vida2 questões · parada cardiorrespiratória e OVACE no adulto

A. Cadeia de sobrevivência e reconhecimento

B. RCP de alta qualidade no adulto

ParâmetroAdultoCriançaLactente
Frequência100–120/min
Profundidade5–6 cm~5 cm (1/3 do tórax)~4 cm (1/3 do tórax)
Compressões:ventilações30:230:2 (1 socorrista) / 15:2 (2)30:2 / 15:2
Técnica2 mãos, centro do tórax1 ou 2 mãos2 dedos ou 2 polegares abraçando

C. OVACE (obstrução de vias aéreas por corpo estranho)

PegadinhaVítima de engasgo que DESFALECE: não continuar Heimlich em pé, não deitar em decúbito lateral para "esperar", não usar garfos/dedos às cegas — deita-se e inicia-se compressões torácicas, inspecionando a boca antes das ventilações. E o médico que presencia queda súbita sem resposta: chama ajuda/DEA e inicia compressões (não começa por boca a boca isolada).

D. Revisão ativa e checklist